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  • 1. Incantatoire –

    2. Linéaire –

    3. Obsessionel –

    4. Torpide –

    5. Flamboyant

    A posição de Henri Dutilleux na música francesa foi descrita por Paul Griffiths como “orgulhosamente só. Entre Olivier Messiaen e Pierre Boulez em idade, foi pouco afectado por ambos, embora se tenha interessado pelo seu trabalho (...), mas a sua voz, marcada por harmonia e cor tratadas com sensualidade, era própria”.

    Composta sob encomenda feita em 1959 pelo maestro George Szell (para celebrar o 40º aniversário da Orquestra de Cleveland), a peça Métaboles (Metáboles) foi acabada em 1964, com cinco dos sete andamentos inicialmente previstos. O título adequa-se em pleno à ideia de metamorfose subjacente ao conteúdo musical: a obra como que obedece às leis do metabolismo, adoptando um efeito de acumulação semântica tanto na estrutura interna de cada andamento como na forma geral da peça. Nas palavras do compositor, o pensamento fundamental que subjaz à peça é o de “apresentar uma ou várias ideias por uma ordem ou por aspectos diferentes, até que sofram, por etapas sucessivas, uma verdadeira mudança de natureza”.

    A estrutura externa assemelha-se à de um concerto para orquestra, dado que os grupos instrumentais são geridos de forma diferenciada entre os andamentos, tendo cada andamento o seu efectivo instrumental próprio. O primeiro, Incantatoire (Encantatório), chega com ataques de percussão em acordes estáticos (atonais, como é comum em Dutilleux), que através de notas pedais persistentes e sustentadas nas madeiras (nota Mi) são prolongados, num efeito tímbrico extremamente sedutor. O andamento seguinte, Linéaire (Linear), é extremamente diverso do anterior, não só porque é feito apenas com instrumentos de corda, como também por exibir uma textura contrapontística – que fica cada vez mais densa, a ponto de dividir a orquestra em catorze partes (linhas) simultâneas. Em terceiro lugar, Obsessionel (Obsessivo, tal como um dos títulos referidos a propósito do Concerto de Holliger) adopta, sintomaticamente, a forma de uma passacaglia (em que há uma linha de baixo que se repete incessantemente pelo andamento). A linha base é construída com um motivo dodecafónico, e as variações são feitas num andamento rápido, agitado e luminoso, com destaque para os metais. Torpide (Entorpecido), quarto andamento da obra, estabiliza “à volta de um acorde único, formado por seis sons e apresentado por ordem e em registos instrumentais diferentes”. Não há primazia melódica neste andamento, valorizando-se antes a riqueza expressiva e a variedade tímbrica dos instrumentos de percussão, entre os quais sobressaem os de altura indefinida. O andamento final, intitulado Flamboyant (Extravagante), tem a essência de um scherzo. Nele, há um sentido de emolduramento e recapitulação. Ocorre a sucessiva integração de todos os naipes da orquestra com materiais não raras vezes muito contrastantes em sobreposição e em justaposição rápida. Volta a ouvir-se materiais manifestamente derivados dos andamentos anteriores até que um tutti poderoso impõe com vigor o clímax final. 

     


    Pedro Almeida, 2016 

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