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  • 1. Allegro

    2. Turandot: Scherzo

    3. Andantino

    4. Marsch 

     

    Em 1936, depois de o regime Nazi ter proibido a execução da sua música, Paul Hindemith decide sair da Alemanha. Nos três anos seguintes viajou pela Turquia, pela Itália e pela Suíça. Durante a sua estada em terras helvéticas e italianas, Hindemith colaborou com o bailarino e coreógrafo russo Léonide Massine (1896-1979) em Nobilissima visione, um bailado sobre a vida de São Francisco de Assis, baseado nos frescos que o pintor italiano Giotto pintou para a igreja da Santa Cruz em Florença.

    Em Março de 1940, um mês depois de chegar aos EUA, país onde acabaria por se radicar até 1953, Hindemith recebe uma carta de Massine a propor uma nova parceria, um outro bailado agora com base na música de Carl Maria von Weber (1786-1826). A importância de Weber para a música alemã é enorme, uma vez que é considerado o precursor da “ópera nacional”, com Der Freichutz, estreada em Berlim em 1821. Não surpreende, portanto, que Hindemith tenha ficado bastante agradado com a proposta de Massine. A parceria não se viria a consumar porque o compositor e o coreógrafo russo desentenderam-se a propósito da autoria dos cenários. Massine queria convidar Salvador Dalí, que já havia colaborado com ele no bailado Bacanal sobre o Tannhäuser de Wagner, em 1939. Hindemith, que havia detestado os cenários do Bacanal,opôs-se firmemente.

    A ideia de homenagear o seu antecessor musical foi retomada três anos depois, em 1943, estando Hindemith ainda nos EUA, e deu origem à obra sinfónica que abre o concerto desta noite. Metamorfose sinfónica de temas de Carl Maria von Weber é o título da obra escrita para uma formação orquestral que, para além das cordas, contém madeiras a 2, acrescidas de flautim, corne inglês, clarinete baixo e contrafagote, 4 trompas, 2 trompetes, 3 trombones, tuba e uma grande variedade de instrumentos de percussão, onde se destaca o triângulo, o pequeno gongo, sinos e woodblock. Foi estreada em Janeiro de 1944 pela Orquestra Filarmónica de Nova Iorque sob a direcção de Artur Rodzinski.

    Paul Hindemith escreve uma espécie de sinfonia, na qual em cada um dos quatro andamentos um tema de uma obra de Weber é transformado. A quarta das Oito peças para piano a 4 mãos, op. 60, é a que serve de base ao Allegro. O tema e a estrutura da peça de Weber são mantidos na íntegra, como acontece, aliás, nos restantes andamentos. Mas a orquestração de Hindemith cria um colorido e uma variedade tímbrica que arrebata o ouvinte. O segundo andamento é escrito a partir da Ouverture que Weber escreveu para a Turandot de Schiller. O tema chinês recolhido por Weber no Dictionaire de la musique de Jean-Jacques Rousseau é integralmente citado pela flauta na versão de Hindemith. A seguir é repetido oito vezes em diferentes contextos tímbricos culminando num êxtase ruidoso. Depois do clímax, o tema é apresentado pelos metais numa versão sincopada a partir da qual Hindemith constrói uma fuga que volta a desembocar num momento máximo de energia e ruído que acaba por se diluir. O Andan­tino que constitui o terceiro andamento é a versão de Hindemith da segunda das Seis Peças para piano a quatro mãos, op. 10, de Weber, também ela um Andantino con moto. Escrito na forma A-B-A, é um belíssimo trecho calmo e tranquilo que se desenvolve em torno de um tema cantabile introduzido pelo clarinete e que Hindemith veste com diferentes timbres. A surpresa acontece na última citação – novamente a cargo do clarinete, primeiro, seguido do fagote e dos violinos –, quando a flauta entoa uma linha melódica a fazer lembrar a coloratura do bel canto italiano que confere uma nova ambiência ao tema de Weber. A sétima das Oito peças para piano a 4 mãos, op. 60, é a peça a ser metamorfoseada no último andamento. Hindemith transforma um solene Maestoso numa exuberante e vibrante Marcha final, à conta uma escrita orquestral notável. Atentem no surpreendente quarteto de trompas que protagoniza a secção central do andamento.

     


    Ana Maria Liberal, 2017 

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