• O irlandês John Field figura na História da Música como o pai do Nocturno. No entanto, foi Chopin que elevou o género do Nocturno, enquanto peça instrumental para piano num só andamento e que consiste numa melodia acompanhada por um movimento ondulante, ao mais alto estatuto artístico.

    O Nocturno em Si maior opus 9 nº 3 faz parte de um conjunto de três peças extremamente célebres escritas entre 1830 e 1831. Correspondendo à forma contrastante de alternar uma parte central mais agitada com um início e final mais lento e contemplativo, típico do ambiente nocturnal, este Nocturno é um pouco mais animado que os seus pares. A escrita improvisada de Chopin é demonstrada na multiplicidade de ornamentos e variações melódicas e rítmicas sobre os mesmos motivos. A parte central, em Si menor, tem a indicação de “agitato” e constitui um desenvolvimento apurado de ideias anteriormente afloradas. Com um ímpeto superior, mantém a característica sincopada do fraseio.

    O ambiente mais sonhador regressa posteriormente para encerrar o Nocturno com uma cadência extremamente sonhadora, próxima de uma fantasia improvisada.


    Rui Pereira