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  • O ano de 1838 foi muito marcante para Robert Schumann (1810-1856) pela separação de Clara Wieck, uma separação forçada pelo pai dela que desaprovava totalmente o romance dos dois. Estar longe da mulher que amava levou Schumann a dedicar-se de forma frenética e desenfreada à composição. Datam desse ano três dos seus mais importantes ciclos para piano: Cenas Infantis, op. 15; Kreisleriana, op. 16; e Novelettes, op. 21. Sempre com Clara no pensamento: “É curioso: se te escrevo muito, como estou a fazer neste momento, não consigo compor. A música vai toda para ti”, escreve. E na música: “Compus uma quantidade assustadora para ti nas últimas três semanas: coisas alegres, histórias de Egmont, cenas familiares com pais, um casamento – enfim, as coisas mais queridas e as mais agradáveis”. Schumann explica qual o destino de tanta composição: “chamei à obra Novellettes, porque o teu nome é Clara e Wieckettes não soa bem.”

    Novellettes, op. 21 é o maior e, talvez, o menos conhecido dos grandes ciclos de piano de Robert Schumann. É composto por oito peças, sem título, todas estruturadas na forma rondó. A Novellette n.º 8 é a mais desenvolvida e a mais longa de todas. É formada por duas grandes secções contrastantes que se conectam através de uma ténue, mas fundamental, citação da mulher amada. De facto, a última das Novellettes é a que exibe uma referência mais directa a Clara Wieck. Sob a indicação Stimme aus der Ferne (Uma voz ao longe), Schumann cita a melodia do Nocturno do ciclo Soirées Musicales op. 6 que Clara compôs dois anos antes. É uma melodia simples e plácida, acompanhada por um ritmo pontuado que lhe confere uma leve tensão. Essa citação tem o condão de transformar uma peça dominada pela inquietação e pelo desespero numa outra onde abunda a confiança e a felicidade. A Novellette op. 21 n.º 8 é uma bonita e romântica declaração de amor.

     


    Ana Maria Liberal, 2016 

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