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  • Paride ed Elena (1770) foi a terceira ópera de Gluck em que o compositor, em colaboração com o libretista Ranieri de Calzabigi, aplicou os princípios de um modelo de reforma operática que ficou associada aos dois artistas. Na base destes princípios, conforme afirmado no prefácio a uma ópera anterior criada pelos dois, Alceste (1767), estava o objectivo de eliminar “abusos introduzidos pela vaidade dos cantores ou a exagerada complacência dos compositores”, assim como os textos floreados e artificiais ligados aos modelos estabelecidos na opera seria pelo libretista Pietro Metastasio. Em alternativa, defendiam que a música deveria estar ao serviço da poesia, assumindo a simplicidade e coerência dramática como critérios a valorizar.

    Estreada em Viena, Paride ed Elena baseou-se numa das temáticas mais conhecidas da mitologia grega clássica: descreve o enamoramento entre Páris e Helena, ligação que viria a dar origem à guerra que oporia troianos e gregos. O recurso a temas ligados à literatura e/ou mitologia da Antiguidade Clássica foi aliás recorrente desde os primórdios da ópera em 1600. Em termos de tratamento da temática, Gluck segue a tradição da opera seria italiana e da tragédie lyrique francesa, optando por uma abordagem dramática séria.

    As árias “O del mio dolce ardor” e “Donzelle semplici, no, non credete” foram pen-sadas para duas personagens distintas desta ópera, respectivamente Páris e Helena.

    O papel de Páris foi cantado na estreia por um cantor castrato, e a tessitura original corresponde à tessitura de uma voz feminina. Nos dias de hoje, o papel pode ser interpretado por voz de soprano, como é o caso de “O del mio dolce ardor”, a ária do 1º acto em que Páris declara o seu amor por Helena. A voz é acompanhada por um motivo de notas repetidas nas cordas, em diálogo ocasional com fragmentos melódicos de oboé. A ária tem uma estrutura tripartida, em três secções, mas com bastante consistência estilística entre as mesmas. Já “Donzelle semplici, no, non credete” foi composta para a personagem de Helena, e é cantada no início do 5º acto, quando Amore (Cupido), tentando vencer as reticências de Helena em assumir o seu amor por Páris, lhe comunica falsamente que este partiu. Helena, a quem Páris já havia confessado o seu amor, manifesta a sua revolta por este abandono. A sua indignação, assim como o seu desgosto, são manifestados sucessivamente nesta ária através do carácter majestoso inicial, intercalado por uma secção intermédia um pouco mais lenta e expressiva. 

     


    Helena Marinho, 2015 

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