Oito Peças para piano, op.76

Johannes Brahms, Hamburgo, 07 de Maio de 1833 / Viena, 03 de Abril de 1897

[1871-79; c.27min]

  • 1. Capriccio: un poco agitato

    2. Capriccio: allegretto non troppo

    3. Intermezzo: grazioso

    4. Intermezzo: allegretto grazioso

    5. Capriccio: agitato, ma non troppo presto

    6. Intermezzo: andante con moto

    7. Intermezzo: moderato semplice

    8. Capriccio: grazioso ed un poco vivace

     

     

    As Oito peças para piano op. 76 de Johannes Brahms (1833-1897) reúnem quatro caprichos e quatro intermezzos, constituindo um ciclo de grande originalidade. Em música, os caprichos são geralmente composições mais livres de regras formais, não sendo prevísivel o seu desenvolvimento, o caminho que vão seguir. Em particular no século XIX, tendiam a ser peças não muito longas e propícias a expressar emoções mais intensas. É o que acontece precisamente com os quatro caprichos inseridos nesta colectânea. O primeiro, que abre o ciclo, tem um carácter impetuoso, com uma melodia cintilante, terminando num registo mais suave e poético. Segue-se imediatamente um outro capricho, este de uma extraordinária elegância, um pouco insinuante com os seus stacattos que nos deixam sem saber para onde caminha esta melodia verdadeiramente encantadora. O tom alegre faz esquecer que a tonalidade é Si menor.

    Chega a vez de um intermezzo, um género que nos remete para um momento de ligação entre dois actos de um drama. A melodia cintilante do registo agudo é sonhadora, própria de uma canção de embalar, e evoca um ambiente nocturnal de grande intimidade. O registo sonhador e muito poético prossegue no intermezzo seguinte que nos conduz através de diversos cromatismos indecisos até meio do ciclo. Um novo capricho, a quinta peça, traz-nos de volta às sonoridades dramáticas e grandiosas, a uma escrita impetuosa que é ainda mais reforçada na segunda parte com rasgos inesperados de virtuosismo onde a música atinge fortissimos de dinâmica. As partes mais sonhadoras deste capricho parecem improvisos.

    Seguem-se mais dois intermezzos, muito mais calmos, em que a acção dramática parece abrandar e a música se situa num plano mais psicológico, ou sonhador. Estes intermezzos antecedem o capricho final, uma peça agitada na luminosa tonalidade de Dó maior e que encerra o ciclo com sonoridades orquestrais, grandiosas e de tom assertivo.

     


    Rui Pereira, 2017