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  • 1. Largo – Agitato

    2. Adagio

    3. Energico

     

    Out of Earth é uma exploração musical dos mitos da Criação na obra Metamorfoses de Ovídio. Aí encontramos, como noutras mitologias, a evolução da espécie humana que nos conduz do ocaso de uma era dourada ao nascimento da seguinte, o que implica uma nova criação da terra, e de passagem a destruição e o dilúvio. A música de Out of Earth é em primeiro lugar inspirada nestas imagens, para de seguida as ultrapassar e se emancipar.

    O primeiro andamento começa com sons indefinidos, esféricos e não identificáveis, evocando lembranças de eras passadas, e talvez também “génios” ou “espíritos”, no sentido que Hölderlin lhes dá no seu poema Schicksalslied (Canto do destino). Como se fosse algo que não conseguimos compreender, que não faz parte do mundo real ou presente. Esta atmosfera indefinida é sustentada por citações do oboé solo, retiradas do lied “Ruckblick” do ciclo Winterreise de Schubert. Os metais assumem o desenvolvimento a partir daí, com cores mais surdas, por vezes mais violentas e directas, que nos introduzem nas eras seguintes das Metamorfoses de Ovídio: as idades da prata, do bronze e do ferro. As transformações levam a um maior dramatismo e agitação, uma maré que gentil e inexoravelmente leva ao dilúvio, com reminiscências do tema da lembrança. O andamento termina em destruição e numa consequente atmosfera de tristeza.

    O ambiente sombrio é transversal ao início do segundo andamento que se vai transformando numa espécie de lamento orquestral, com intervenções fragmentadas e complementares de diferentes solistas. As citações de Schubert são retomadas por toda a orquestra e por pequenos ensembles. O motivo da elegia reaparece brevemente, para de súbito se transformar: como se o rei Tritão ordenasse o fim do dilúvio, a trompa solo apresenta uma nova melodia, com motivos mais luminosos que preparam o andamento final e se estendem a outros solistas, até serem tocados pelo tutti.

    O terceiro andamento perde um pouco do carácter cantabile e lírico e ganha energia rítmica que nos leva para uma nova realidade. Segundo Ovídio, a espécie humana está endurecida, habituada ao sofrimento. Este pensamento encontra-se nos temas e motivos pesados, directos e ásperos. Paralelamente, desenvolvem-se ritmos naturais que nos transportam ao final da obra. O símbolo desta evolução rítmica é a citação fragmentada do tema Caméléon de Herbie Hancock. A mistura dos temas contrastantes pode parecer abrupta, mas lembra o espírito dos textos de Ovídio: poesia multicolor, imprevisível e a transbordar de sentimentos. 

     


    Oliver Waespi 

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