• Traduzido à letra do francês, a língua pela qual o conjunto de peças de juventude de Robert Schumann (1810-1856) ficou conhecido, o título Papillons induz em erro. Este lapso é reforçado pela imagem errónea que acompanhou a primeira edição da partitura, a qual estava decorada com borboletas na capa. Nesse caso seríamos forçados a imaginar voos de borboletas, imagem que muitos professores do instrumento ainda perpetuam hoje e que em certos momentos, como na segunda variação, o movimento das mãos parece sugerir. Mas, na realidade, Larventanz significa “Baile de Máscaras” e a origem do erro surge do duplo significado da palavra “Larve” (larva e máscara).

    É pois um glorioso baile que esta música retrata em doze peças que se sucedem. Este é um tema predilecto de Schumann ao qual viria a dedicar muitas célebres páginas, nomeadamente o Carnaval op. 9 e o Carnaval de Viena, obras maiores do repertório. Não podendo dizer que estamos perante variações, o espírito desta técnica de composição está muito presente. Ao longo deste baile, percorremos o universo sonoro das baladas de Chopin (na abertura) e de diversas danças como a valsa – logo na 1ª, na 6ª ou na 8ª dança –, a polonaise – na 5ª ou na 11ª – ou de fanfarras que escutamos esporadicamente, sendo o pendor lírico o traço dominante desta obra. Da maior importância são as mudanças de ambiente, característica predominante nas dramaturgias de Schumann.

    O ciclo começa com uma brevíssima introdução de seis compassos em uníssonos, a qual funciona como uma espécie de chamamento, como quem pede a atenção dos ouvintes exclamando: O baile vai começar!

     


    Rui Pereira, 2017