Error loading MacroEngine script (file: artista-header.cshtml)
  • Paradeisoi (2007) é o nome grego dado aos jardins antigos persas que tiveram o seu auge na dinastia Aqueménida (559-330 ac). Os jardins persas são sempre rodeados por muros, tendo, normalmente, entradas simples que nunca se situam no eixo central da composição. A palavra persa para estes jardins é pairi-daeza (espaço fechado), termo que foi adoptado pela mitologia cristã na descrição do jardim de Éden ou paraíso na terra. Estes jardins têm, por vezes, elementos de surpresa, como, por exemplo, entradas labirínticas. Na construção destes jardins, que também eram chamados de jardins formais, existia a preocupação de combinar os elementos considerados como principais: água, sol, vento, frutos e pássaros.

    Os jardins persas procuravam retratar o universo; nesta representação, com o microcosmo em comunicação com o macrocosmo, encontramos diferentes formas de expressão que correspondem a desejos íntimos e profundos deste povo, tais como uma árvore que brota a água que nasce de dentro de uma montanha. Na construção destes espaços, a preocupação formal é muito importante, conjugando a simplicidade estética com o rigor técnico. Na elaboração dos diferentes parâmetros formais é dada muita importância à relação entre luz e sombra, bem como, à articulação entre o sentido estático e o sentido de movimento.

    Todas estas questões formais foram consideradas primordiais na elaboração do tecido musical desta obra que, como num paradeisoi, procura a harmonia resultante do diálogo arquitectura versus natureza, espaço aberto versus espaço fechado, material versus espiritual.

    (...) tive sempre a ideia desta peça como uma peça de uma enorme lentidão. É uma obra essencialmente vertical. Os primeiros compassos lançam uma energia que a alimenta, e que tem um desvanecimento natural até ao fim da peça. A energia rítmica inicial funciona como um estímulo energético, mas logo de seguida a narrativa torna-se plana, onde movimentos subtis e interiores acontecem. Este início estabelece a estrutura métrica de toda a obra. Esta sequência métrica apresentada inicialmente, com a orquestra em tutti, resulta numa frase rítmica – embora métrica e ritmo sejam coisas distintas aqui tornam-se uma só. Ao longo da peça, as “frases” transformam-se por utilização de diferentes escalas temporais, levando, por vezes, à perda do seu sentido rítmico original.


    Isabel Soveral 

x
A Fundação Casa da Música usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras. Para obter mais informações ou alterar as suas preferências, prima o botão "Política de Privacidade" abaixo.

Para obter mais informações sobre cookies e o processamento dos seus dados pessoais, consulte a nossa Política de Privacidade e Cookies.
A qualquer altura pode alterar as suas definições de cookies através do link na parte inferior da página.

ACEITAR COOKIES POLÍTICA DE PRIVACIDADE