Polonaise-Fantasia em Lá bemol maior, op. 61

Fryderyk Chopin, Żelazowa Wola, 01 de Março de 1810 / Paris, 17 de Outubro de 1849

[1845; c.13min]

  • A música para piano de Fryderyk Chopin constitui um dos mais relevantes monumentos do Romantismo musical. Para muitos dos seus contemporâneos, como Robert Schumann ou Franz Liszt, por exemplo, a sua perfeição como pianista virtuoso equiparava-se à profunda elegância das suas composições musicais, marcadas pela exploração do lirismo, do virtuosismo pianístico e da inspiração na sua terra natal, a Polónia. Liszt, que interpretou várias das obras de Chopin e que o conheceu em Paris, no início dos anos 30 do séc. XIX, referiu que “A música era a sua língua, a língua divina através da qual expressava um reino de sentimentos que apenas alguns poucos podem apreciar. A musa da sua terra natal dita as suas canções, e os gritos angustiados da Polónia emprestam à sua arte um mistério, uma poesia indefinida que, para todos aqueles que realmente a experimentaram, não pode ser comparada a qualquer outra coisa.”

    Chopin compôs cerca de 230 obras, afirmando sempre a centralidade do piano e a exploração das novas possibilidades expressivas daquele instrumento musical. O contexto parisiense em que viveu era marcado pela vida social e musical dos salões, pelo interesse na prática amadora que lhe garantiu alunos de piano, e também por uma forte indústria de edição musical, que lhe permitiu publicar as suas obras. Chopin respondeu a este ambiente como poucos compositores, dedicando-se à composição de pequenas peças regularmente apresentadas em público, publicando-as e fazendo-as circular entre a aristocracia e a alta burguesia.

    A Polonaise-Fantasia op. 61 foi composta em 1846, três anos antes da morte de Chopin, quando este se encontrava com a saúde bastante fragilizada. Nesta obra encontramos claras referências à Polonaise enquanto dança, pelos seus ritmos pontuados, ainda que ao nível da estrutura e da concepção musical se aproxime mais da fantasia. A liberdade expressiva, a criatividade dos materiais temáticos e o seu respectivo tratamento marcam, neste contexto, a maturidade do estilo composicional de Chopin. A Polonaise-Fantasia apresenta uma estrutura tripartida, na qual o compositor explora, por vezes, momentos harmónicos intricados e de maior complexidade, adensados pela linguagem pianística e virtuosística que, como é seu apanágio, nunca se afasta da concepção melódica refinada, atingindo momentos de grande introspecção e delicadeza musical.

     

     


    Pedro Russo Moreira, 2018 

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