Polonaise n.º 6 em Lá bemol maior, op. 53, Heróica

Fryderyk Chopin, Żelazowa Wola, 01 de Março de 1810 / Paris, 17 de Outubro de 1849

[1842; c.7min]

  • A música para piano de Fryderyk Chopin constitui um dos mais relevantes monumentos do Romantismo musical. Para muitos dos seus contemporâneos, como Robert Schumann ou Franz Liszt, por exemplo, a sua perfeição como pianista virtuoso equiparava-se à profunda elegância das suas composições musicais, marcadas pela exploração do lirismo, do virtuosismo pianístico e da inspiração na sua terra natal, a Polónia. Liszt, que interpretou várias das obras de Chopin e que o conheceu em Paris, no início dos anos 30 do séc. XIX, referiu que “A música era a sua língua, a língua divina através da qual expressava um reino de sentimentos que apenas alguns poucos podem apreciar. A musa da sua terra natal dita as suas canções, e os gritos angustiados da Polónia emprestam à sua arte um mistério, uma poesia indefinida que, para todos aqueles que realmente a experimentaram, não pode ser comparada a qualquer outra coisa.”

    Chopin compôs cerca de 230 obras, afirmando sempre a centralidade do piano e a exploração das novas possibilidades expressivas daquele instrumento musical. O contexto parisiense em que viveu era marcado pela vida social e musical dos salões, pelo interesse na prática amadora que lhe garantiu alunos de piano, e também por uma forte indústria de edição musical, que lhe permitiu publicar as suas obras. Chopin respondeu a este ambiente como poucos compositores, dedicando-se à composição de pequenas peças regularmente apresentadas em público, publicando-as e fazendo-as circular entre a aristocracia e a alta burguesia.

    A Polonaise op. 53 foi composta em 1842 e é, por vezes, referida como Heróica, em parte devido ao seu espírito vigoroso e de bravura. Numa carta de George Sand, amada de Chopin e mulher inovadora para o seu tempo, foi expresso que esta Polonaise poderia representar e ser um símbolo heróico da Revolução de 1848. Ao que parece, o compositor não apreciava as conotações ou nomes programáticos específicos para as suas obras, mas a verdade é que muitos pianistas passaram a referir-se a esta obra como Polonaise Heroïque. A obra encerra em si uma elevada dificuldade técnica traduzida em escalas e arpejos rápidos, oitavas, trilos com os dedos considerados mais fracos (4º e 5º), entre outros elementos. Alguns especialistas na obra de Chopin têm referido que a Polonaise op. 53 se encontra menos próxima da dança propriamente dita, mas mais da balada, em particular pela sua estrutura temática. A introdução virtuosa, plena de ímpeto, antecede o tema heróico cheio de carácter que depois contrasta com outros motivos em crescendo, como a secção com oitavas rápidas na mão esquerda. A obra termina com um final em subito fortissimo, de forma triunfal.

     


    Pedro Russo Moreira, 2018