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  • 1. Brouillards

    2. Feuilles mortes

    3. La puerta del vino

    4. Les fées sont d’exquises danseuses

    5. Bruyères

    6. Général Lavine – eccentric

    7. La terrasse des audiences du clair de lune

    8. Ondine

    9. Hommage à S. Pickwick Esq. p.p.m.p.c.

    10. Canope

    11. Les tierces alternées

    12. Feux d’artifice

    Nos seus Prelúdios, o compositor atinge o expoente máximo na expressão musical de todas essas influências extra­‑musicais e naquilo a que certos autores chamam de “arte da sugestão”, ou seja, de levar o ouvinte a visualizar a música através de impressões sonoras.

    Entremos, pois, nesse universo fascinante da arte da sugestão através dos 12 Prelúdios do Segundo Caderno, escritos entre 1910 e 1913. 

     

    1. Brouillards, que podemos traduzir por nevoeiro, é o ovo de colombo da arte da sugestão. O nevoeiro é simulado por uma camada de notas pretas no piano que encobrem uma melodia extremamente simples e nítida tocada exclusivamente nas notas brancas. Conforme a interpretação, o pianista pode ocultar mais ou menos essa melodia tonal, fazendo corresponder o som global à sua própria representação visual deste fenómeno. É costume associar-se este prelúdio aos quadros do pintor inglês William Turner que Debussy muito admirava.

    2. O pianista Robert Schmitz, que foi aluno de Debussy, descreveu desta forma o prelúdio Feuilles mortes (folhas mortas): “É a Sagração do Outono (numa alusão à Sagração da Primavera de Stravinski, estreada em Paris no mesmo ano da edição destes Prelúdios) na qual a queda das folhas é um sinal da suspensão da vida, criando uma espectativa estática, de um intenso arrependimento em relação ao passado, de grande tristeza e com a melancolia embriagante do Outono.”

    3. La puerta del vino é uma das portas do palácio da Alhambra, em Granada. Debussy nunca lá esteve mas recebeu um postal enviado pelo compositor Manuel de Falla com a imagem. Bastou para criar uma das músicas mais espanholas de todo o repertório pianístico, impregnada de ritmos de habanera e com recortes melódicos típicos do cante hondo.

    4. Les fées sont d’exquises danseuses é inspirado numa ilustração de Arthur Rackham, que retrata fadas dançando sobre os fios de uma teia de aranha, para o livro de James Barrie (“Peter Pan nos jardins de Kensington”). No final do prelúdio podemos escutar a breve evocação de um solo de trompa da ópera Oberon, de Carl Maria von Weber, personagem mítico nesta temática dos contos de fadas.

    5. Bruyères (urzes) sugere uma paisagem coberta por flores de arbustos selvagens. Poderá ter sido inspirado numa paisagem ou num quadro, mas a sua melodia pentatónica sugere um ambiente folclórico, talvez rural

    6. Général Lavine – eccentric é uma das obras de Debussy inspiradas na vida teatral de Paris. No Verão de 1910 esteve em cena no Teatro Marigny um espectáculo humorístico com Edward la Vine, um norte-americano também conhecido por Général Lavine por ter sido soldado. Na sua actuação incluía a personificação de uma marionete de madeira, uma luta consigo próprio, tocava piano com o nó dos dedos e os polegares e caminhava de formas hilariantes. Debussy foi convidado para escrever música de cena para um novo espectáculo que o actor americano apresentou em Paris em 1912, mas não terá respondido ao pedido. No entanto, deixou a sua homenagem a Lavine neste prelúdio cujo ritmo dominante é um cakewalk.

    7. La terrasse des audiences du clair de lune é um prelúdio nocturnal que reflecte a influência do oriente e do exotismo associado ao continente asiático, que tanto marcou a sociedade parisiense após as exposições universais que decorreram na viragem do século. Os movimentos cromáticos sobre notas pedal criam uma atmosfera estática e misteriosa, à qual se juntam as sonoridades de sinos, ou de um gamelão, evocando as escalas do oriente.

    8. Ondine é uma ninfa que vive num palácio de cristal no fundo das águas de um lago, atraindo até si marinheiros e pescadores. Ao escutarmos a música, podemos vislumbrar os jogos cristalinos de luz penetrando na água onde se move rápida e fugazmente Ondine, sob a ondulante superfície.

    9. Hommage à S. Pickwick Esq. P.P.M.P.C. é o retrato musical de um personagem do primeiro livro de Charles Dickens, “The Pickwick Papers”. O lendário pianista francês Alfred Cortot, num livro que escreveu sobre Debussy, afirmou que cada compasso desta peça encontra correspondência com o retrato humorístico do personagem Samuel Pickwick Esq. A inclusão do hino “God Save the King” não deixa margem para dúvidas sobre o tom irónico da peça.

    10. A sugestão do título Canope é uma alusão aos vasos canópicos utilizados para colocar órgãos retirados no processo de mumificação do antigo Egipto. O prelúdio assemelha-se a um coral religioso, numa textura feita de acordes sobre os quais irradia uma enigmática melodia.

    11. Les tierces alternées é o único dos prelúdios cujo título alude directamente a uma técnica da escrita musical, o uso de intervalos de terceira. Pode ser considerado como um significado duplo, pois a alternância ocorre entre intervalos de terceiras maiores e menores bem como entre a mão direita e a mão esquerda.

    12. Feux d’artifice é um dos prelúdios mais virtuosos, encerrando a série de forma espectacular. O fogo-de-artifício é utilizado na celebração do Dia da Bastilha, como a inclusão do tema da “Marselhesa” deixa adivinhar. O rápido movimento de um motivo circular pode aludir à rotação do fogo preso e as notas isoladas da melodia às explosões de cor. O prelúdio difere muito de acordo com as interpretações que usam mais pedal, privilegiando o efeito colorístico, ou menos pedal, retratando a excitação electrificante do espectáculo.


    Rui Pereira, 2011

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