Quarteto de cordas nº 2, em Lá menor, op. 29

Joly Braga Santos, Lisboa, 14 de Maio de 1924 / Lisboa, 18 de Julho de 1988

[1957; c.25min.]

  • 1. Largo – Allegro moderato

    2. Adagio molto

    3. Largo – Adagio molto vivace

    Maestro, crítico musical, professor, compositor, Joly Braga Santos inicia o seu percurso com a aprendizagem de violino e piano no Conservatório Nacional, a partir de 1936, e da disciplina de composição em 1941. Determinante nesta fase da sua formação foi a figura de Luís de Freitas Branco, pela influência estilística de pendor modernista, e pelo interesse na música de cariz tradicional e na polifonia renascentista. A partir de 1947, trabalhou de perto, como compositor colaborador, com o Gabinete de Estudos Musicais da Emissora Nacional, tendo ainda sido director da Orquestra do Teatro de São Carlos, da Orquestra Sinfónica do Porto e da Orquestra Sinfónica da Radiodifusão Portuguesa. Na sua extensa obra incluem-se seis sinfonias, música de câmara, música para piano, música vocal, solística e coral, bailado, bandas sonoras cinematográficas e radiofónicas.

    Bolseiro do Instituto de Alta Cultura, em 1948, foi para Veneza participar no Curso Internacional de Regência com Herman Scherchen. De 1957 a 1960, ainda em Itália, trabalhou no estúdio experimental de Gravesano, com Antonio Votto, prosseguindo posteriormente os seus estudos de composição com Virgilio Mortari, em Roma. O Quarteto n.º 2 reflecte as influências desta experiência italiana de grande modernidade. 

    O Quarteto de cordas n.º 2, que assenta na tonalidade de Lá menor e ocupa no catálogo do compositor o op. 27, foi composto em Dezembro de 1957, na cidade de Milão. Obra publicada com a dedicatória “À minha querida mulher”, veria a sua estreia no Teatro de São Carlos, postumamente, no ano de 1989, pelo Quarteto Capela. O andamento inicial, Largo – Allegro moderato, com o primeiro tema enunciado no violoncelo, precede o segundo andamento, com o tema apresentado também no violoncelo e ao qual se segue uma resposta de gestualidade homofónica nos restantes instrumentos do ensemble. A peça termina com um Largo – Allegro molto vivace, num Finale de grande lirismo.


     Rosa Paula Rocha Pinto