Quarteto de cordas n.º 2 em Lá menor

Joly Braga Santos, Lisboa, 14 de Maio de 1924 / Lisboa, 18 de Julho de 1988

[1957; c.22min]

  • 1. Largo – Allegro moderato

    2. Adagio molto

    3. Largo – Allegro molto vivace 

     

     

    Joly Braga Santos (1924-1988), discípulo dilecto de Luís de Freitas Branco, é unanimemente considerado o grande sinfonista português. Todavia, o catálogo do compositor lisboeta contém também várias obras de música de câmara, entre as quais dois quartetos de cordas. João de Freitas Branco, no programa do concerto de homenagem a Joly Braga Santos promovido pelos “Amigos do São Carlos” (Julho de 1989), considerou ser o Quarteto de cordas n.º 2 em Lá menor a obra de câmara de maior fôlego do compositor, entre todas as anteriores à viragem estilística que se deu no início dos anos 60, no sentido do cromatismo e da atonalidade.

    O segundo quarteto de cordas, dedicado “À minha querida mulher”, a cantora lírica Maria José Falcão Trigoso Braga Santos, e composto em Milão, em 1957, durante um estágio que Joly Braga Santos realizou naquela cidade italiana, é, pois, uma obra construída com base numa linguagem musical assente num modelo neoclássico essencialmente modalista. À semelhança do que acontece nas suas quatro primeiras obras sinfónicas, escritas entre 1945 e 1950, e na senda da obra que ouvimos antes composta pelo seu professor, o Quarteto de cordas n.º 2 em Lá menoré uma obra de construção cíclica. Ou seja, é uma obra que tem por base um motivo condutor, uma raiz cíclica, que percorre os três andamentos. A raiz cíclica é sempre apresentada na introdução lenta de cada um dos andamentos por um instrumento solista: o violoncelo no Largo – Allegro moderato e no Adagio molto; o primeiro violino no Largo – Allegro molto vivace.

    Após a exposição do motivo condutor pelo violoncelo, seguido pelo primeiro violino e pela viola, o Allegro moderato do primeiro andamento é uma forma sonata à qual o compositor retirou o desenvolvimento. É digna de registo a sobreposição de sucessivas linhas melódicas sustentadas por uma base harmónica em pizzicatos. No Adagio molto, Braga Santos cria ostinatos nos instrumentos mais graves – viola e violoncelo – sobre os quais faz pairar sucessivas cantilenas lânguidas e melancólicas. No terceiro e último andamento, o tema cíclico é tocado pelo 1º violino, no registo agudo, acompanhado pelos restantes três instrumentos do quarteto. Depois deste momento de introspecção, Joly Braga Santos surpreende-nos com um Allegro molto vivace na forma rondó onde se sucedem vários temas melódicos de uma alegria contagiante.

    O Quarteto de cordas n.º 2 em Lá menor foi tocado pela primeira vez em 1986, dezanove anos após a sua criação, no Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, pelo Quarteto Capela, formado por António Anjos e Vitorino Gomes (1º e 2º violinos, respectivamente), Barbara Friedhoff (viola de arco) e João Murcho (violoncelo). 

     


    Ana Maria Liberal, 2018 

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