• Balada n.º 1, em Sol menor, op. 23

    Balada n.º 2, em Fá maior, op. 38

    Balada n.º 3, em Lá bemol maior, op. 47

    Balada n.º 4, em Fá menor, op. 52 

    A balada é um género intimamente relacionado com a dança e a canção narrativa. Na sua raiz popular, remonta ao período medieval e aparece associada a uma narrativa épica, a qual se cantava ao ritmo de danças. A sua inclusão no repertório erudito marcou a canção alemã oitocentista, bem como todos os géneros de canção mais sentimental (associação que se mantém até aos nossos dias), e conduziu a uma metamorfose significativa, encontrando-se belíssimos exemplos em composições exclusivamente instrumentais, como é o caso das Quatro Baladas que Chopin escreveu. As narrativas épicas que terão inspirado Chopin foram as Baladas Lituanas do escritor polaco Adam Mickiewicz, sendo que na maior parte delas é difícil estabelecer a ligação entre o texto e a música.

    A Primeira Balada, em Sol menor, foi composta entre os anos de 1831 e 1835. Tem início com um recitativo que desemboca num canto declamado sobre uma harmonia napolitana. Este início define uma aura de mistério que deixa o ouvinte expectante antes do belíssimo tema, imediatamente reconhecível na memória dos melómanos, que domina a Balada no seu registo de valsa nostálgica e apaixonada.

    A Segunda Balada, em Fá maior, explora uma dramaturgia assente na alternância de secções contrastantes que oscilam entre uma grande tranquilidade e uma agitação intempestiva.

    A Terceira Balada teve como fonte de inspiração Ondina, figura presente no elemento aquático do primeiro tema que tão bem contrasta com o carácter cavaleiresco e épico do segundo tema.

    A lenda de “Os Três Irmãos Budry”, das Baladas Lituanas, terá estado na origem da Quarta Balada, em Fá menor. Não sendo possível traçar um paralelo programático entre o texto literário e a música, é visível que Chopin estrutura a Balada em episódios dramáticos criando uma forma híbrida sem analogia com outras composições suas. Após uma introdução muito breve e improvisada, insistente na mesma nota, a Balada em Fá menor apresenta uma bonita cantilena cujo singelo acompanhamento da mão esquerda contribui para a sensação de abandono que transmite. Apesar do percurso motivicamente repetitivo, representa sempre uma surpresa o seu crescendo de textura polifónica e a invenção harmónica. Os ritmos mais salientes são os de barcarola e siciliana. Sucedendo-se em formas variadas, os dois temas serão sujeitos a um longo desenvolvimento aparentado com o da forma-sonata, onde a Balada atinge o seu pico de virtuosismo antes de enveredar subitamente por uma surpreendente e tempestuosa coda.

     


    Rui Pereira, 2017