Error loading MacroEngine script (file: artista-header.cshtml)
  • 1. Introitus: Requiem aeternam

    2. Kyrie

    3. Graduale: Requiem aeternam

    4. Offertorium: Domine Jesu Christe – Hostias

    5. Sanctus

    6. Agnus Dei

    7. Communio: Lux aeterna

    8. Responsorium: Libera me

    Grande parte da carreira de Manuel Cardoso (1566-1650) foi passada em Lisboa, como compositor e organista no Convento de Carmo da Ordem das Carmelitas. Foi o compositor com mais música editada no seu tempo, especialmente graças ao apoio do seu patrono, o rei D. João IV, mas infelizmente a maior parte da sua obra policoral mais tardia perdeu-se no Terramoto de Lisboa em 1755. O que sobreviveu tem raízes firmes no velho idioma renascentista de Palestrina e Victoria, ainda que com traços de personalidade musical que lhe são flagrante e inequivocamente estranhos.

    Ainda mal se avançou dois compassos do Requiem e um desses elementos chega-nos ao ouvido. O mi natural da segunda soprano cria um intervalo aumentado em relação ao lá bemol com que entra o tenor, colocando em causa a estabilidade tonal e criando expectativas que se revelam enganadoras na polifonia ponderada e fluída que se segue. Apesar destes gestos ocasionais, a técnica de Cardoso é baseada na tradição do passado, tecendo o seu contraponto em redor do cantochão que se ouve quase sempre (algo invulgar) nas vozes superiores. O ritmo harmónico é lento, ditado pelas notas longas nas quais se ouve o cantochão, e o fluxo polifónico é interrompido raramente por cadências colectivas. O efeito é mesmérico, menos uma tradução das especificidades e nuances do texto do que um estado de espírito musical generalizado mantido através de múltiplos andamentos.

    Com o avançar do Requiem, contudo, tudo se torna mais dramático. O tempo do cantochão acelera no “Domine Jesu Christe”, trazendo consigo uma maior energia, mais nervosa, enquanto na “Lux Aeterna” surgem texturas fragmentadas – aparecem pausas praticamente pela primeira vez, chamando a atenção do ouvido. No “Libera Me” final, o efectivo vocal – quase sempre com a opulência do ensemble de seis vozes ao longo da obra – é despojado para apenas SATB (soprano/contralto/tenor/baixo), uma austeridade repentina que nos remete novamente para os temas solenes de que trata o texto.


    Alexandra Coghlan, 2015

x
A Fundação Casa da Música usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras. Para obter mais informações ou alterar as suas preferências, prima o botão "Política de Privacidade" abaixo.

Para obter mais informações sobre cookies e o processamento dos seus dados pessoais, consulte a nossa Política de Privacidade e Cookies.
A qualquer altura pode alterar as suas definições de cookies através do link na parte inferior da página.

ACEITAR COOKIES POLÍTICA DE PRIVACIDADE