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  • 1.Gute Nacht  (Boa-noite)

    2.Die Wetterfahne (O cata-vento)

    3.Gefrorne Tränen(Lágrimas geladas)

    4.Erstarrung (Torpor)

    5.Der Lindenbaum (A tília)

    6.Wasserflut(Inundação)

    7.Auf dem Flüsse(À beira do rio)

    8.Rückblick(Olhar o passado)

    9.Irrlicht(Fogo fátuo)

    10.Rast(Repouso)

    11.Frühlingstraum(Sonho de Primavera)

    12.Einsamkeit(Solidão)

    13.Die Post(O correio)

    14.Der greise Kopf(A cabeça grisalha)

    15.Die Krähe(A gralha)

    16.Letzte Hoffnung(Última esperança)

    17.Im Dorfe(Na aldeia)

    18.Der stürmische Morgen(Manhã tempestuosa)

    19.Täuschung(Ilusão)

    20.Der Wegweiser(O poste indicador)

    21.Das Wirtshaus(A estalagem)

    22.Mut(Coragem)

    23.Die Nebensonnen(Os parélios)

    24.Der Leiermann(O tocador de realejo)

    O ciclo de canções é uma criação do início do período Romântico. O conceito de dramaturgia num plano de continuidade, desde a escolha dos textos à sequência da música e dos seus conteúdos emocionais, passou a estar implícito na elaboração dos ciclos de canções a partir de Beethoven. Este género viu em Franz Schubert (1797-1828) um dos seus representantes mais importantes, senão mesmo o mais significativo. De entre os vários ciclos que escreveu, o mais emblemático é, talvez, Die Winterreise (1827), com base em 24 poemas do seu contemporâneo Wilhelm Müller (1794-1827).

    Quando comparados com a música, os poemas são geralmente apontados como sendo de inferior qualidade, mas Schubert terá estabelecido uma forte identificação pessoal com o seu conteúdo e nunca terá sido essa a sua opinião. Esta é a viagem de alguém que, como ele, chega ao fim da vida. O significado de uma viagem de Inverno é visto numa perspectiva muito mais alargada e universal. É uma reflexão sobre o significado da vida.

    Particularmente interessante é o facto de Schubert ter musicado os primeiros 12 poemas de Müller, antes de conhecer os restantes doze. Estes últimos foram musicados depois e parecem reflectir mais a questão da morte. Schubert compôs a música num processo de grande isolamento e a primeira audição causou um grande choque ao círculo de amigos mais íntimos.

    A Viagem de Inverno é indubitavelmente um dos ciclos de canto mais importantes de toda a História da Música. No domínio interpretativo, levanta grandes dificuldades inerentes à execução vocal de cada peça, à junção entre a voz e a parte do piano, toda ela com um poder ilustrativo e pictórico de grande qualidade, mas sobretudo pelo sentido de indivisibilidade do ciclo. Alguns dos maiores cantores do século XX, sobretudo barítonos, deixaram interpretações de referência destas canções escritas originalmente para a tessitura de tenor. Essas interpretações variam, naturalmente, de acordo com as capacidades e características vocais dos cantores, bem como pelo poder narrativo e descritivo de ambos os intérpretes.

    Pois bem, o que o compositor alemão Hans Zender (1936) se propôs fazer foi passar ao papel a sua própria interpretação deste ciclo, assumindo, desde o princípio, que as notas do original são, para os intérpretes, apenas um impulso criativo para a construção de algo sempre novo e actual. Desde logo, deixou de lado o duo tradicional, formado pelo piano e pelo cantor. O piano é substituído por um conjunto de instrumentos que vai dar novo colorido e maior poder descritivo às ideias de Schubert: 2 flautas (e piccolo), 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, trompa, trompete, trombone (tenor e baixo), acordeão, 3 harmónicas (melódica), 3 máquinas de vento, harpa, guitarra, 2 violinos, 2 violas, violoncelo, contrabaixo, e um amplo conjunto de instrumentos de percussão. Depois, há uma concepção das nuances de tempo, de transposição de tonalidade, de reinterpretação do texto que origina cortes e repetições… e há também uma dimensão cénica, quase ritual, na própria disposição dos instrumentistas. Estes, ao movimentarem-se no espaço contribuem para uma experiência onírica do ouvinte. Quando, por exemplo, na canção A Tília, o clarinetista e o oboísta se deslocam no palco num “caminhar sonâmbulo”, há uma clara identificação com o texto que diz: “Eu sonhei, à sua sombra.” Esta é, também, uma nova leitura dos poemas de Wilhelm Müller, cujos elementos pictóricos ganham um novo colorido. Os elementos folclóricos aqui presentes, por exemplo, recuperam sonoridades que no piano eram impensáveis. E há uma estratégia bem delineada para concluir a obra, para “interpretar” os 12 últimos poemas, que conduzem para a ideia de uma morte anunciada, afastando o ouvinte da paisagem sonora da primeira parte do ciclo.

    Schuberts Winterreiseuma interpretação composta para tenor e pequena orquestra, de Hans Zender, foi escrita em 1993 e foi apresentada pela ocasião do 60º aniversário do compositor, em 1996, bem como por ocasião do 200º aniversário de Schubert, em 1997. Desde então, é regularmente interpretada por diversos agrupamentos de referência, constando na discografia dos prestigiados Ensemble Modern e Klangforum Wien, este último acompanhando o tenor Christoph Prégardien. O Remix Ensemble fez a estreia desta obra em Portugal no Festival em Obra Aberta, na Casa da Música, em 2003, ainda antes do edifício estar terminado. 


    Rui Pereira

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