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  • 1. Leicht, zart 

    2. Langsam 

    3. Sehr langsame Viertel 

    4. Rasch, aber leicht 

    5. Etwas rasch

    6. Sehr langsam

     

    Na primeira década do século XXI, Holliger dedicou boa parte das suas energias criativas a revisitar a música de compositores do passado, ao transcrever a sua música para meios diferentes dos originais. É o caso das Três Transcrições de Machaut, compostas de 2001 a 2003, em que Holliger parte de música vocal de Machaut – o maior compositor da Idade Média – e a transplanta para sonoridades do nosso tempo; da obra Claude Debussy: Ardeur Noire, uma orquestração, realizada em 2008, de uma peça para piano de Debussy; e da música que hoje ouvimos, escrita em 2007: uma transcrição para ensembledas 6 pequenas peças para piano, op. 19, de Schoenberg.

    Não é de admirar que esta última obra exerça um particular fascínio para um compositor, como Holliger, que valoriza, acima de tudo, a espontaneidade e o papel do inconsciente (ver também o texto sobre Lunea). Schoenberg compô-la num rasgo fulminante de inspiração: as 5 primeiras peças foram compostas num só dia, a 19 Fevereiro de 1911; e a restante quatro meses depois, também num só dia. Ao contrário das peças que Schoenberg compôs a partir da década de 1920, baseadas numa lógica de composição altamente racionalizada – fazendo uso da chamada série dodecafónica –, a música é aqui extremamente livre e espontânea, escapando a qualquer sistematização consciente. Seguem um método, aliás, próximo do do próprio Holliger, que frequentemente compõe as linhas principais das suas obras num só fôlego – quase ao ritmo de uma improvisação.

    Um outro aspecto do op. 19 que certamente fascina Holliger é a extrema brevidade dos andamentos (que também encontramos em Lunea, a peça de sua autoria que ouvimos na segunda parte). No caso do op. 19, a peça mais longa tem pouco mais de um minuto; a mais breve, sensivelmente 20 segundos. Esse carácter aforístico – favorecedor de uma máxima concentração e intensidade expressiva – é, aliás, característico de várias obras de Schoenberg e seus alunos Berg e Webern nessa época.

    A transcrição de Holliger é bastante fiel à peça original (para piano), mas explorando todas as possibilidades colorísticas adicionais dadas por um ensemble de 15 instrumentos: assim, na primeira peça, por exemplo, a melodia principal passa sucessivamente por quase todos os instrumentos da orquestra, começando no clarinete e continuando no violino, flautim, contrabaixo, oboé, e por aí adiante.

     


    Daniel Moreira, 2016 

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