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  • Na semana passada organizei um baile no meu apartamento (…); começou às 6 da tarde e acabou às 7. O quê? Apenas uma hora? Não, não! Acabámos às 7 da manhã.

    – Excerto de uma carta de W. A. Mozart ao pai, Leopold Mozart (22/01/1783)

     

    A dança era uma das grandes paixões de Mozart e Viena a cidade ideal para exercitar essa arte que a família já cultivava em Salzburgo. A temporada do “Carnaval” vivia-se com intensidade na Redoutensaal, o grande salão do Palácio Imperial, entre Janeiro e os três dias do Carnaval propriamente dito, juntando ali uns dois milhares de dançarinos – por vezes mais ainda – numa ou duas noites por semana. Mas se no século XIX as valsas se tornariam rainhas, nesse tempo o trono pertencia ao minueto, à contradança e à dança alemã (um parente próximo do ländler e, naturalmente, da valsa). Mozart era um dançarino exigente com os pares e chegou a escrever que preferia os bailes caseiros àqueles promovidos em grandes salões, embora fosse presença notada nos famosos bailes da Redoutensaal, para os quais compôs várias danças no âmbito das suas funções enquanto compositor da corte.

    As Seis Danças Alemãs op. 509 foram escritas em Praga – cidade boémia então integrada no império austríaco – ainda antes de Mozart assumir o cargo oficial da corte, alguns meses depois. Era uma cidade muito receptiva à sua música e onde recolhia grande sucesso: o próprio Mozart descreveu a sua agradável surpresa ao perceber, pouco depois da primeira apresentação de As Bodas de Fígaro em Praga, que nos bailes ali realizados já se fazia versões dos temas da ópera em ritmo de contradança e de dança alemã, o que poderá ter servido de incentivo para a escrita de um novo conjunto de danças: “aqui não se fala de nada senão Fígaro; nada se canta, toca ou assobia senão Fígaro.”

    O opus 509 agrega, sem qualquer interrupção, seis peças de métrica ternária e forma bipartida. A constância da forma e as várias repetições de secções são requisitos fundamentais para o carácter funcional das peças, que serviam de facto para serem dançadas. Cada uma das danças está numa tonalidade diferente e tem a seguinte estrutura:

    – Uma primeira parte clara e afirmativa, carácter conseguido através do uso preferencial de melodias construídas em torno das notas fortes que definem a tonalidade e, em alguns casos, fazendo uso de notas repetidas. O tema melódico divide-se em duas frases que são apresentadas, cada qual, com repetição.

    – Uma segunda parte chamada alternativo, também com duas frases que se repetem e onde frequentemente se apresenta um tema mais fluído, desenhado preferencialmente por graus conjuntos (ou seja, evitando os saltos melódicos) e acrescentando cromatismos ocasionais que enriquecem o colorido melódico. Esta parte tem um carácter sereno comparável ao do trio de um minueto, sendo natural que surja com instrumentação mais comedida: menos sopros e as cordas distribuídas apenas pelos solistas e não em tutti.

    – Após a possível reapresentação de ambas as partes (omitida neste concerto), segue-se uma pequena transição modulatória preparando a tonalidade da dança que se segue.

    – As Seis Danças terminam com uma coda enérgica que anuncia aos pares o final iminente.

     


    Fernando Pires de Lima, 2018 

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