Seis peças para orquestra

Bruno Mantovani, Châtillon, 08 de Outubro de 1974

[2004; c.24min.]

  • 1. (à Jeanne Chevalier) –

    2. (à Constance) –

    3. Les tanins (à Frank Madlener)

    4. Gaudi

    5. [ ]

    6. Journal d’une vie (In memoriam Arnold Schoenberg)

     

    Quase um século separa as Seis peças para orquestra, de Bruno Mantovani, das restantes obras deste concerto. Resultantes de uma encomenda da Orquestra de Paris para o Festival Musica, em Estrasburgo, as Seis peças para orquestra foram escritas em 2003. Mantovani afirmou-se no meio musical francês no século XXI, tendo recebido diversos prémios e distinções na Europa. Formado no Conservatório Nacional Superior de Paris, instituição da qual é actualmente director, Mantovani tem cultivado um estilo que concilia a abordagem serialista e pós-serialista com a influência da improvisação. Para o desenvolvimento desse estilo contribuiu a sua formação na área do jazz.

    Estreadas a 17 de Setembro de 2004 pela Orquestra de Paris sob a direcção de Alexander Brigen, as Seis peças para orquestra são uma homenagem às Cinco peças para orquestra de Schoenberg. Nesse conjunto de obras, Mantovani concilia elementos estilísticos díspares com uma noção de continuidade. Assim, essas miniaturas heterogéneas misturam diversos estilos e géneros musicais. A primeira peça centra-se num solo de clarinete com recurso a microtons, de forma a criar arabescos de carácter orientalista, o qual é pontuado pelas intervenções assertivas da orquestra. A obra seguinte tem início com a apresentação de um curto motivo temático, e no seu desenrolar intercala as intervenções da orquestra com solos. A variedade de tempos em simultâneo e a intensidade expressiva conseguida através da orquestração, explorada de forma a criar uma trama maciça, são de assinalar. A terceira peça alterna momentos de grande intensidade com uma textura de valsa de melodia angular, claramente inspirada na distorção da valsa vienense frequentemente audível nas obras de Schoenberg. A quarta peça é inspirada no arquitecto Antoni Gaudi, sobrepondo movimentos marcados e arabescos sinuosos nos vários instrumentos da orquestra. A obra seguinte tem um carácter aparentemente lúdico, assemelhando-se aos scherzi da Segunda Escola de Viena, de abordagem pontilhista. O ciclo de peças termina com uma recapitulação de elementos dos andamentos anteriores, cuja atmosfera se torna progressivamente mais rarefeita.

     


    João Silva, 2016