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  • 1. Allegro molto

    2. Scherzo: Allegro non troppo – Trio: Poco più moto

    3. Adagio non troppo

    4. Menuetto I e II

    5. Scherzo: Allegro

    6. Rondo: Allegro

     

    Brahms compôs as suas duas serenatas no final da década de 1850, quando se encontrava em Detmold, ao serviço do Príncipe Leopoldo III. Detmold, uma pequena localidade próxima de Hannover, era, então, capital de Lippe, um pequeno principado muito voltado para a música. A Brahms cabia, durante três meses do ano, ensinar piano à Princesa e outras damas da corte; dirigir um coro feminino, essencialmente integrado pela aristocracia local; organizar concertos de música de câmara em que participasse como pianista; e, ocasionalmente, dirigir a orquestra. Numa altura em que era ainda muito jovem (ocupou esta posição entre os 24 e os 26 anos de idade), este trabalho permitiu-lhe começar a ganhar experiência como maestro e expandir o seu conhecimento do repertório, ao mesmo tempo que lhe sobrava ainda muito tempo para compor.

    Com as suas florestas densas e silenciosas, em que Brahms dava longos passeios, Detmold proporcionou-lhe também um certo distanciamento (e arrefecimento) emocional depois da trágica morte de Schumann – que a partir de 1853 se tornara um amigo muito próximo, e também uma figura protectora e encorajadora – bem como dos eventos que se seguiram – Brahms deslocou-se para junto da viúva, Clara Schumann, para a ajudar nesse terrível momento, acabando por se apaixonar por ela, sofrendo então pelo conflito entre essa paixão e o respeito por ela e pelo defunto marido. Muitos são os autores que vêem, então, nas obras compostas em Detmold um certo alívio e reconciliação com o destino. O próprio Brahms passou a dizer que o homem não se deve deixar dominar pelas paixões: “O homem ideal e genuíno é calmo na alegria e calmo na dor e na tristeza”, dizia.

    A Serenata n.º 1, que hoje ouvimos, não foi originalmente concebida para orquestra. Brahms, com efeito, compôs uma primeira versão para forças mais modestas: nove instrumentos, incluindo flauta, 2 clarinetes, fagote, trompa e quarteto de cordas. Fê-lo entre 1857 e 1858, já em Detmold, tendo depois tocado a peça ao piano para o seu amigo Joseph Joachim, um dos maiores violinistas da época e seu entusiástico defensor. Joachim aconselhou-o a transcrever a música para orquestra, o que Brahms fez no ano seguinte, mais ou menos enquanto terminava a orquestração do seu Primeiro Concerto para piano. Eram, na verdade, as primeiras tentativas de Brahms no domínio da escrita orquestral, em que tanto se notabilizaria no futuro.

    Seguindo a tradição das serenatas de Mozart, a obra divide-se num amplo número de andamentos – 6, no total – incluindo várias danças. (Ao contrário das obras de Mozart, porém, a obra não se destinou a nenhuma ocasião festiva especial, sendo desde a origem concebida simplesmente como música de concerto.) Por toda a obra perpassa um lado rústico e popular, como se vê logo no início, em que um bordão nas cordas graves acompanha um tema vivo e campestre na trompa e, depois, no clarinete. Na verdade, esse tema é também uma homenagem a Haydn, sendo muito parecido com o tema que inicia o último andamento da Sinfonia n.º 104 do mestre vienense.

    Depois do brilho radiante do primeiro andamento, o segundo – um scherzo em andamento relativamente moderado – tem um tom mais escuro e contidamente inquieto. Já o terceiro andamento, lento e meditativo, é provavelmente o mais belo de toda a Serenata, combinando doçura e solenidade. Segue-se um par de minuetes, muito graciosos, com curiosa instrumentação: no primeiro, uma linha delicada nos clarinetes, acompanhada por um fagote ligeiramente brincalhão; no segundo, música mais escura e expressiva nas cordas. O quinto andamento é um novo scherzo, totalmente diferente do anterior: o carácter é agora robusto e popular. O andamento final prossegue esse ambiente, terminando a obra em grande alegria.

     


    Daniel Moreira, 2016 

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