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  • 1. Noite

    2. Canção dos Juncos

    3. O Rouxinol

    4. Coroado por um Sonho

    5. No Quarto

    6. Ode ao Amor

    7. Dias de Verão

    As Sete Canções de Juventude ilustram essa tendência. Compostas para voz e piano entre 1905 e 1908, o início do seu percurso como aluno de Schoenberg, foram revistas e orquestradas pelo compositor em 1928. A obra ilustra o gosto heterogéneo de Berg e reflecte o papel da literatura na formação da burguesia da época. Paralelamente, os poemas são escolhidos de forma a potenciar as capacidades expressivas do compositor, sobretudo no que toca à relação texto/música. Neste caso, a versão orquestral permite um espectro de possibilidades mais alargado, mas dilui o intimismo da versão para voz e piano, incluindo o registo ao qual o solista tem de recorrer.

    Nacht (Noite), da autoria do poeta e cientista Carl Hauptmann, remete para o Simbolismo, evocando o cair da noite num contexto rural. Nesse ambiente, o sujeito poético aparece como uma alma solitária que contempla a irrealidade da paisagem. De forma a enfatizar esta atmosfera feérica, Berg recorre a arabescos melódicos nos quais a direccionalidade temática é diluída. Para isso também contribuiu o recurso à escala de tons inteiros, uma referência clara à obra de Claude Debussy. Schilflied (Canção dos Juncos), sobre um texto do poeta romântico Nikolaus Lenau, é mais contrapontística, interpolando solos de violino ao longo da textura. O poema foca o desejo de um caminhante solitário que atravessa a floresta na ausência da sua amada. Berg traduz essa atmosfera diferindo a resolução das várias passagens, uma característica marcante do seu estilo. Die Nachtigall (O Rouxinol), do realista Theodor Storm, descreve uma rapariga de carácter contemplativo ouvindo o canto nocturno de um rouxinol. O ambiente nocturno prossegue com Traumgekrönt (Coroado por um Sonho), poema de Rainer Maria Rilke que reflecte o misticismo do final do século XIX, destacando elementos como o sonho, a noite e a alma. Nesta canção, a atmosfera irreal é enfatizada pela orquestração. Im Zimmer (No Quarto), do poeta naturalista Johannes Schlaf, narra o adormecer de um par romântico numa tarde de Outono. O registo onírico retorna com Liebesode (Ode ao Amor), de Otto Erich Hartleben . Nesta canção, a evocação do cheiro a rosas trazido pelo vento de Verão remete para um contexto de desejo amoroso. O conjunto de lieder termina com Sommertage (Dias de Verão), um poema que evoca o céu estrelado de Verão numa textura contrapontística. O seu autor, Paul Hohenberg, foi colega de escola de Berg. Ao longo da obra, que se enquadra numa linguagem musical diatónica tardo-romântica, o compositor fundiu as suas influências românticas, como Brahms e Schumann, com técnicas expressivas associadas ao Modernismo.


    João Silva, 2015

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