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  • Short Ride in a Fast Machine é, provavelmente, a obra mais tocada do compositor norte-americano John Adams, um sucesso que surpreendeu o próprio: “a peça tornou-se o meu hit, algo que nunca poderia ter esperado”. Trata-se, na verdade, de uma peça de dimensões relativamente modestas (não chega a durar cinco minutos) e que foi composta com um propósito muito específico: servir de abertura a um concerto da Orquestra Sinfónica de Pittsburgh (dirigida, então, por Michael Tilson Thomas), no âmbito do Festival de Música Great Woods, no Massachusetts, no ano de 1986.

    Ao encomendar-lhe a peça, Tilson Thomas pediu a John Adams que escrevesse uma fanfarra orquestral, ou seja, uma pequena peça centrada nos metais (sobretudo nos trompetes), com carácter enérgico e cerimonial, que pudesse servir como uma poderosa introdução ao Festival. Pouco interessado no estilo mais tradicional da fanfarra – em que era difícil para um compositor americano, de resto, competir com a Fanfarra para um homem comum de Aaron Copland –, John Adams preferiu abordar o género de outra forma, inspirando-se num episódio bem concreto da sua vida: o momento em que foi dar uma volta num Lamborghini com o seu cunhado, a convite deste, e em que a viagem foi tão rápida e assustadora que ele quase se arrependeu de ter ido! Na sua música, John Adams tenta captar essa combinação de excitação, adrenalinae ansiedade – quase no limiar do medo – que a alta velocidade pode provocar. Tradu-lo musicalmente com música vertiginosamente rápida, em ritmos repetidos que se vão lentamente transformando, e com um crescendo constante de densidade (começando com poucos instrumentos e fazendo entrar cada vez mais).

    Nessa energia rítmica – e nos ritmos repetidos – a obra é típica de John Adams: compare-se com o início de Harmonielehre, uma grande obra para orquestra do ano anterior (1985), ou com inúmeras passagens da ópera Nixon in China, do ano seguinte (1987). São características que aproximam a sua música do minimalismo, embora se trate de um minimalismo distinto do de Steve Reich ou Philip Glass: há até quem qualifique John Adams de pós-minimalista, por combinar a ideia de pulsação e repetição do minimalismo americano com um tratamento mais tradicional – por vezes quase romântico – da orquestra sinfónica. 

     


    Daniel Moreira, 2017 

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