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  • Composta entre Abril e Julho de 1906, a 1ª Sinfonia de câmara de Schoenberg fica para a história como uma obra de transição, a caminho da atonalidade, mas – apesar de toda a complexidade, dissonância e instabilidade – ainda tonal. É ainda tonal, acima de tudo, porque de tempos a tempos a dissonância é completamente resolvida, como se sente logo no final da primeira frase da peça, ou no final de secções importantes, ou no final da obra: a música atinge aí uma sensação de repouso, de alívio total da tensão, que a partir de 1909 (como se referia no texto introdutório deste programa de sala) desaparece da música de Schoenberg.

    Não é só pela complexidade, dissonância e instabilidade que a obra aponta para novos caminhos. É também pelo uso dos instrumentos, pois esta não é a formação instrumental para que tradicionalmente se escreveria uma sinfonia: em vez de uma orquestra sinfónica completa, com uns 70 ou 80 músicos, temos uma orquestra de câmara, com apenas 15. Este tipo de formação, com uma sonoridade mais magra e transparente, tornar-se-ia muito habitual ao longo do século XX, sendo, por um lado, uma compreensível reacção às gigantescas orquestras do Romantismo, e, por outro, a manifestação de uma tendência para tratar a própria orquestra como um manancial de pequenos grupos de música de câmara.

    A nível estrutural, a Sinfonia tem a curiosidade de ser, ao contrário do habitual, num único andamento. O que acontece é que, seguindo uma prática que vinha já de Liszt, Schoenberg aglutina num só os vários andamentos característicos de uma sinfonia: começamos, assim, com um allegro, característico de primeiro andamento de sinfonia, contendo dois temas contrastantes (como é também normal); segue-se um scherzo (aquele que seria tradicionalmente o terceiro andamento); mais à frente, depois de um desenvolvimento dos temas do allegro, temos um andamento lento (tradicionalmente o segundo de uma sinfonia); e por aí adiante.

     


    Daniel Moreira, 2017 

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