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  • Rachmaninoff é uma das grandes figuras da música russa do seu tempo. A sua obra e a sua carreira são do conhecimento do grande público e algumas das suas obras contam-se entre as mais populares nas salas de concerto. O seu prestígio e popularidade como compositor e como pianista deveriam garantir-lhe o lugar à parte a que alguns artistas têm direito. Mas não foi sempre assim. Rachmaninoff, compositor, foi frequentemente mal julgado e maltratado pela crítica. Sobre ele pairou sempre a acusação de escrever uma música de expressão romântica, ou seja, do passado, em tempo de mudanças e revoluções.

    Mas voltemos ao princípio. Esta Sinfonia de Juventude, em Ré menor, não é em rigor uma sinfonia, mas apenas o primeiro andamento de uma obra que poderia vir a sê-lo, porque de facto nunca passou deste seu andamento inicial. Foi composta aos 18 anos, em 1891 (no mesmo ano em que nasceu Prokofieff). Como experiência de juventude, anterior às suas grandes obras sinfónicas (as suas 3 sinfonias ou os concertos para piano n.º 2 ou n.º 3), esta é uma obra à procura de identidade e de equilíbrio. Tal como no seu primeiro concerto para piano e orquestra, também composto nesse mesmo ano, a escrita sinfónica ainda não tem aqui a mesma densidade e alcance ou a largueza da paleta expressiva que encontramos nas suas obras maiores.

    A Sinfonia de Juventude, em Ré menor, apenas foi editada em 1947, em Moscovo, quatro anos após a sua morte. A estrutura deste andamento, que dura um pouco mais de 10 minutos, é a de uma tradicional forma-sonata. As diversas secções em que se articula são muito claras, compreendendo: uma introdução lenta, após a qual se sucede a tradicional exposição onde são apresentados os temas; um desenvolvimento “clássico”, construído a partir de alguns traços mais salientes dos temas apresentados, com alguma intensificação de movimentos modulantes e de maior colorido harmónico; e uma reexposição, em traços largos repetindo a secção inicial.

    Curiosamente a sua Sinfonia n.º1, op. 13, em Ré menor (essa sim, completa, com 4 andamentos) também foi escrita na mesma tonalidade. Composta em 1895, foi estreada em 1897 em São Petersburgo, mas a sua estreia foi um rotundo fracasso, o que deixou Rachmaninoff muito deprimido e desanimado, tendo deixado de compor durante alguns anos. Mas as razões por que essa sua primeira sinfonia, op. 13, foi tão mal recebida, porque muito mal interpretada (de acordo com relatos da época), assentam também numa contradição: Rachmaninoff criou grande parte do seu prestígio junto do público pela sua excepcional qualidade de virtuoso do piano e por uma escrita de matriz romântica na esteira de Liszt ou de Tchaikovski. Mas essa sinfonia – por vezes hesitante e imprecisa, com mudanças de direcção inesperadas, com soluções de colorido instrumental e orquestral muito menos convencionais, com um sentido dramático muito forte (por todo o lado circula o célebre “Dies Irae”) – essa sinfonia não é de compreensão linear. Traz dentro de si projectos de experimentação e de mudança. Ou seja, este não parece ser o Rachmaninoff de que o público gosta. Mistérios…

     


    Fernando C.Lapa, 2016 

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