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  • 1. Adagio

    2. Presto

    3. Menuetto

    4. Finale: Presto

     

    A vida e obra de Joseph Haydn revelam uma perfeita ligação ao seu tempo. Um dos mais influentes compositores de sinfonias da segunda metade do século XVIII, foi protagonista na definição do género sinfónico para a posteridade: por um lado, porque criou um invulgar e impressionante corpo de obras (104 sinfonias) que se revelaram incontornáveis na fixação e estandardização do género; por outro, porque tirou a sinfonia do uso exclusivo do salão aristocrático dando-a a conhecer na esfera pública, nomeadamente com as suas viagens a Paris e Londres, a partir da década de 1780. Ao contrário de Bach, Mozart ou Beethoven, Haydn não fazia parte de uma família estabelecida no meio musical, mas com trabalho e perseverança acabaria por se tornar um dos músicos mais determinantes do seu tempo. Uma das razões para esta conquista terá passado, sem dúvida, pela sua ligação laboral à família Esterházy, uma das casas mais importantes no contexto da nobreza húngara. Este patrocínio, que durou cerca de cinco décadas, foi marcante no desenvolvimento da linguagem musical do compositor. Contratado inicialmente pelo Príncipe Paul Anton, foi ao serviço do irmão deste, Nikolaus Joseph (que o sucedeu em 1762), que Haydn compôs a maior parte da sua obra. Amante de música, o Príncipe Nikolaus, representante do despotismo esclarecido iluminista que mandou construir o Palácio de Verão Eszterháza, era um apaixonado do baryton e um músico informado, entusiasta do trabalho de Haydn. Os deveres de Haydn, a par com a composição, passavam por supervisionar as performances regulares, uma ópera e dois concertos por semana, com espectáculos adicionais no caso de visitas importantes, a par com a música de câmara diária, “ao gosto do Príncipe”. Tal como havia acontecido com Bach, com esta enorme quantidade de solicitações o volume de produção do compositor acabaria por se revelar gigantesco: só para os teatros do Príncipe, Haydn compôs cerca de vinte óperas italianas (cómicas na sua maioria); Singspiel para o teatro de marionetas; uma enorme quantidade de divertimenti, a maior parte dos quais publicado posteriormente como quartetos. Do seu prolífero catálogo fazem ainda parte 104 sinfonias, 68 quartetos para cordas, aberturas, serenatas, trios para baryton, trios com piano, 47 sonatas para piano, canções, cantatas, missas entre as quais a Missa de Santa Cecília e a Missa Mariazeller, e 4 oratórias de que são exemplos O Regresso de Tobias, A Criação, As Estações.

    De 1762 a 1765, o Príncipe Nikolaus viveu sobretudo em Eisenstadt, então a sua principal residência. Haydn e a sua esposa residiam numa casa no mesmo prédio de outros músicos, perto da emblemática Bergkirche. Nesta altura, Haydn ocupava o cargo de Vice-Kappellmeister na corte dos Esterházy, em substituição de Gregor Werner, já idoso, e era agora responsável por toda a música com a excepção da música religiosa.

     

    A Sinfonia n.º 22 em Mi bemol maior, “O Filósofo”, data de 1764, como o testemunha o manuscrito autógrafo que subsiste até hoje. A pouco usual instrumentação, pelo recurso a dois cornes ingleses em detrimento dos habituais oboés, inclui ainda duas trompas e cordas.

    O Adagio inicial é o mais extenso andamento da obra e é possivelmente a chave para a compreensão do original epíteto “O Filósofo” que, não constando do manuscrito original, surge contudo numa cópia datada de 1790, ainda no período de vida do compositor. O contido e introspectivo diálogo inicial é protagonizado pela trompa e pelo corne inglês que disputam entre si a melodia principal, sobre o naipe das cordas em surdina. O segundo andamento, Presto, caracterizado pelos elementos virtuosísticos na secção das cordas, sendo um andamento de carácter contrastante, antecede o Menuetto e Trio onde, em contrapartida, é dada proeminência à secção de sopros. No último andamento, Finale: Presto, as trompas e o corne inglês, em eco, criam uma alusão à ideia da cena de caça, constituindo um dos primeiros exemplos deste estilo que o compositor cultivou.

    Tal como outras sinfonias de Haydn desta fase, todos os andamentos se encontram na mesma tonalidade assentando, neste caso, o 1º, o 2º e o 4º andamento na forma-sonata. A sequência lento-rápido-lento-rápido dos quatro andamentos – que corresponde, de certa forma, à estrutura da sonata da chiesa barroca –, a utilização de uma melodia de coral no primeiro andamento e o recurso ao corne inglês são elementos que indiscutivelmente conferem unicidade a esta obra.

     


    Rosa Paula Rocha Pinto, 2016

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