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  • 1. Allegro con brio

    2. Andante

    3. Menuetto

    4. Allegro 

     

    Celebrizada pela utilização do seu primeiro andamento no filme Amadeus (1984), de Milos Forman, a Sinfonia n.º 25 em Sol menor foi composta em 1773, quando Mozart tinha apenas 17 anos mas já uma longa carreira de jovem prodígio musical. A escolha de uma tonalidade menor não era frequente na época e está na base do carácter dramático desta obra. A Sinfonia n.º 25 é usualmente caracterizada como uma das primeiras obras orquestrais que demonstra a passagem de Mozart para a sua maturidade criativa. São também frequentemente estabelecidos paralelos entre esta obra e sinfonias da mesma época compostas por Haydn. Mozart e o pai permaneceram por alguns meses em Viena em 1773, antes de regressar a Salzburgo onde Mozart entraria ao serviço do Arcebispo, tendo iniciado a composição da Sinfonia n.º 25 após o seu retorno. É bastante provável, portanto, que Mozart tenha tomado conhecimento de obras compostas por Haydn por volta de 1770, nomeadamente a Sinfonia n.º 39, também na tonalidade de Sol menor, e que, tal como a Sinfonia n.º 25 de Mozart, incluía na sua orquestração 4 trompas, uma opção invulgar para a época.

    Alguns dos aspectos mais notórios desta obra residem, por um lado, na utilização do timbre instrumental como elemento inovador em relação às convenções da época, e, por outro lado, no uso do ritmo como força motriz e geradora do ímpeto da obra. Logo no início do Allegro con brio, o uníssono das cordas, reminiscente dos estilos sinfónicos de Mannheim ou Berlim, aliado ao ritmo sincopado, sugerem a expressividade intempestiva associada ao movimento literário Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto), que compositores como Haydn, nessa mesma altura, imprimiam às suas obras sinfónicas. Neste início, a expressividade é também realçada pela melodia lamentosa dos oboés ou pelo recurso a transições bruscas para secções agitadas, marcadas por tremoli nas cordas. Mas encontramos também o Mozart lírico, de cariz galant, no segundo tema, que alia curtos motivos em legato com a leveza de um acompanhamento em staccato.

    O Andante explora o timbre instrumental, combinando o uso da surdina nos violinos com um acompanhamento de curtos motivos nos fagotes. Esta enfâse nos motivos breves, de duas ou três notas, entrecortados por pausas ou respirações, remete também para o estilo galante que marcou a fase inicial da produção de Mozart.

    Já o Menuetto remete para outro aspecto familiar do universo de Mozart, as danças de corte e os divertimenti, música de câmara de cariz despretensioso, frequentemente composta para ensembles de instrumentos de sopro e destinada a eventos sociais. Esta última associação é particularmente evidente no trio intermédio, em que Mozart reduz a orquestra a oboés, fagotes e trompas, criando assim um contraste tímbrico marcante com o minueto.

    O Allegro final retoma o espírito inquieto e a técnica de uníssono de vozes usada no início da Sinfonia, em ritmo pontuado de carácter assertivo. A exploração dos contrastes de dinâmicas prossegue neste andamento, com breves pontos de imitação entre as vozes, numa alusão, quiçá irónica, à técnica de contraponto característica de estilos do passado.

     


    Helena Marinho, 2017 

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