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  • 1. Allegro molto maestoso

    2. Scherzo: allegretto

    3. Adagio solenne

    4. Allegro

     

    Edward Elgar (1857- 1934), por seu turno, é um compositor que se vincula facilmente com a “pompa e a circunstância” – referência evidente a uma das suas obras mais populares que ele, por sinal, detestava – da monarquia britânica no período do imperialismo. Há, porém, uma dimensão privada  na sua música, que se relaciona igualmente com obras da sua autoria tão conhecidas como as Variações Enigma. As suas duas primeiras sinfonias enquadram¬ se perfeitamente na primeira tendência que, de resto, se adapta bem à vocação pública e colectiva do género. A primeira foi inspirada por um episódio da expansão britânica em África, ocorrido na década de 80 do século XIX, e a segunda foi dedicada em 1911 ao Rei Eduardo VII. 

    A terceira sinfonia, seguramente, está mais relacionada com a segunda faceta – a dimensão privada. Pertence a uma época histórica diferente, inícios da década de 30, e foi o resultado de uma encomenda da BBC incentivada por um amigo do compositor, o célebre dramaturgo George Bernard Shaw, que estava consciente das dificuldades económicas que o compositor estava a atravessar. Elgar dedicou¬ se a ela nos últimos meses de vida, acompanhado por outro amigo, o violinista W. H. Reed, que reproduziu bastantes esboços da obra num livro de homenagem de carácter memorialista, Elgar as I knew him. Acresce ainda o facto de, no primeiro andamento – do qual chegou a orquestrar uma parte substancial –, Elgar ter retratado a violinista Vera Hockman no segundo tema, cantado pelos primeiros violinos. A relação entre ambos tem sido motivo de especulação, alimentando¬ se o rumor de que teria sido esta amizade a fonte de inspiração e a motivação para a composição da sinfonia.

    Os fragmentos recompostos ou adicionados à Terceira Sinfonia de Elgar podem, por sua vez, ser também identificados. Anthony Payne publicou, em 1998, um ensaio onde descreve com detalhe o seu trabalho. Antes da sua morte, Elgar chegou a acabar a orquestração de parte do Allegro molto maestoso. Também deixou quase concluído o Scherzo e os dois temas principais e de carácter contrastante do andamento lento. Neste, Payne adicionou uma parte central da sua autoria, que funciona como desenvolvimento. Foi também ele quem escreveu quase na sua totalidade o último andamento: Elgar só terminou a fanfarra inicial e deixou apontamentos do que deveria ter sido o segundo tema. O que Payne fez foi procurar inspiração numa obra mais ou menos contemporânea, “The Waggon Passes” das Nursery Rhimes, para a secção do clímax e redigir uma coda que, depois de recapitular os temas anteriormente ouvidos, se desvanece no silêncio. Quis fazer assim uma homenagem pessoal a Elgar, cujo uso da percussão sempre tinha admirado. 

     


    Teresa Cascudo, 2017 

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