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  • 1. Allegro con brio

    2. Marcia funebre: Adagio assai

    3. Scherzo: Allegro vivace

    4. Finale: Allegro molto

    Menos de dois anos após a conclusão da Segunda Sinfonia, entre a Primavera de 1803 e Maio de 1804, Beethoven compõe a Sinfonia n.º 3, op. 55, em Mi bemol maior. A primeira audição privada teve lugar em Agosto de 1804 na residência do Príncipe Lobkowitz. A estreia pública deu-se no ano seguinte, a 7 de Abril de 1805, no Teatro de Viena, sob a direcção do compositor. No Porto, a Terceira Sinfonia foi tocada pela primeira vez a 12 de Dezembro de 1864, no Teatro de S. João, pela Orquestra Portuense dirigida por Carlo Dubini.

    Quando terminou a sua terceira obra sinfónica, Beethoven dedicou-a a Napoleão Bonaparte, a quem considerava um símbolo na luta pela libertação da Europa. Mas quando Napoleão se fez coroar imperador, em Maio de 1804, o compositor sentiu-se traído pelo seu “herói” e de imediato rasgou a folha de rosto da partitura que continha a dedicatória, substituindo-a por outra que dizia: “Sinfonia Heróica, composta para celebrar a memória de um grande homem”. Para além da dedicatória, Beethoven substituiu também a marcha triunfal que tinha escrito para o segundo andamento por uma marcha fúnebre.

    A orquestra é formada por madeiras e metais aos pares (flautas, oboés, clarinetes, fagotes, trompetes), à excepção das trompas que são três, acrescida dos timbales e das cordas. Allegro con brio; Marcia Funebre: Adagio assai; Scherzo: Allegro vivace;e Finale: Allegro molto são os quatro andamentos que compõem a obra.

    A Sinfonia Heróica é um “tributo imortal ao espírito heróico no triunfo e na tristeza. Isto é puro Beethoven, os ideais da Revolução Francesa transportados para o som”, afirmou o Maestro Georg Tintner em 1988, quando gravou a obra para a Naxos.

    Depois de dois acordes majestosos tocados por toda a orquestra, o primeiro andamento começa com um tema apresentado pelos violoncelos que Mozart havia utilizado na abertura da ópera Bastien und Bastienne. É totalmente impossível que Beethoven tenha ouvido a ópera de Mozart, porquanto ela foi levada à cena em 1768, numa récita privada em Viena, e a estreia pública aconteceu em Berlim, em 1890. Muito provavelmente os dois compositores inspiraram-se numa outra fonte desconhecida. O tema dos violoncelos abre a porta a um Allegro con brio onde se opõem constantemente a força e o sentimento imperativo à súplica e à aflição. Apesar das particularidades formais – Beethoven introduz um tema completamente novo que contraria o cânone da forma-sonata – e estilísticas – compassos em estilo fugado, largos acordes sincopados –, o valor intrínseco e o interesse deste andamento reside sobretudo no seu carácter simbólico e expressivo, mais do que nos seus indiscutíveis méritos técnicos. O soberbo desenvolvimento, de dimensões extraordinárias, parece transmitir a ideia de que a vida de um herói não é tão fácil quanto possa parecer. E a sua expressiva e emocionante conclusão transmite-nos a convicção de que um verdadeiro triunfo entre os homens só se pode obter pela bondade.

    A Marcia Funebre: Adagio assai é de uma grandiosidade assombrosa. A desolação e a profunda tristeza que emana da música do compositor de Bona é absolutamente brutal! François-René Tranchefort conta que o célebre Maestro Hans von Bülow calçava luvas pretas quando dirigia este andamento. Beethoven volta a confiar aos violoncelos a exposição do primeiro tema, um tema marcial que exprime uma dor lancinante. Este percorre toda a marcha com diferentes tonalidades e timbres.

    A marcha fúnebre dá lugar a um brilhante, inquieto e impaciente Scherzo: Allegro vivace, outra das novidades da Sinfonia, uma vez que vem substituir o clássico minueto. Muito embora Beethoven já tenha incluído um scherzo na Segunda Sinfonia, é na Terceira que esta forma musical atinge a maturidade e adquire um significado pleno.

    O Finale: Allegro molto consiste numa série de variações sobre um tema que o compositor utilizou no último andamento do seu ballet As Criaturas de Prometeu. Começam as cordas de forma impetuosa e, depois de uma breve e misteriosa conspiração, dá-se uma explosão de alegria. É um andamento complexo e multifacetado que surpreende pela variedade estilística: uma fuga na linha do baixo, uma melodia virtuosística na flauta, uma dança ondulante, um hino expansivo. Uma coda plena de furor termina de forma triunfal com as trompas a explodirem de alegria.

    Com esta arrebatadora Sinfonia Heróica, que é um verdadeiro poema musical, Beethoven deixa transparecer o seu lado mais sincero e profundo, e logra transmitir com toda a intensidade as suas emoções mais íntimas.

    Como bem salientou Richard Wagner, “temos que considerar o epíteto heróica no seu sentido mais lato e definir o herói como o homem inteiro, completo, que está na posse de todos os sentimentos puramente humanos do amor, da dor, da alegria e da força, na plenitude do seu poder”. 

     


    Ana Maria Liberal, 2015

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