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  • 1. Allegro vivace

    2. Andante di molto

    3. Finale: Allegro vivace

    A Sinfonia em Dó maior KV 338 foi a última que Mozart compôs ao serviço do arcebispo Colloredo de Salzburgo. Despedido intempestivamente em 1781, Mozart começa uma nova etapa profissional como compositor e intérprete por conta própria. Esta opção arriscada reflecte uma mudança no paradigma das ocupações de um músico da época, de um enquadramento profissional ligado a patronos institucionais (nomeadamente a aristocracia e as instituições religiosas) para uma carreira autónoma, baseada em apoios mais ou menos pontuais das mesmas fontes e em projectos de produção própria, garantindo um certo grau de independência criativa. Esta alteração de paradigma, não obstante a forma gradual como se foi operando, acabou por ter um profundo impacto na percepção do papel do compositor, levando a uma ênfase neste tipo de actividade, que viria a conhecer quiçá o seu apogeu na época do Romantismo.

    A 34ª Sinfonia demonstra características que a aproximam do carácter galant da produção inicial de Mozart, e não evidencia a complexidade das sinfonias do período final da sua carreira, antes se aproximando de modelos típicos do repertório sinfónico de meados do séc. XVIII, como é evidente na utilização de curtos motivos com contornos melódicos e rítmicos bastante definidos como base da construção de frases e acompanhamentos.

    Por esta altura, não obstante a sua juventude, Mozart tinha uma experiência relevante na composição de sinfonias, e vários aspectos inovadores que caracterizam em particular as suas notáveis três últimas sinfonias estão já patentes nesta obra. Mozart assume, na sua produção sinfónica, a descrição que o seu contemporâneo Wilhelm Wackenroder (1773-1798) propôs do género, declarando que as sinfonias “apresentam dramas que nenhum dramaturgo conseguiria criar”. Efectivamente, a sinfonia, pela mão dos compositores da Era Clássica, libertou-se dos seus limitados primórdios como simples abertura de ópera para assumir uma autonomia marcada como género puramente instrumental. No caso de Mozart, e tendo em conta a sua importância como compositor de ópera, a sinfonia é também um veículo de expressão eminentemente dramática, construída com base na articulação de elementos / secções contrastantes, justapondo, integrando e variando este jogo combinatório de forma a potenciar o impacto, a surpresa, o deleite, em suma, as emoções de quem assiste a esta dramaturgia musical.

    A composição da 34ª Sinfonia foi terminada em Agosto de 1780, e foi estreada no mês seguinte em Salzburgo. Tem apenas 3 andamentos, embora seja possível que Mozart tenha previsto um andamento adicional: o verso da folha final do 1º andamento tem o registo do início de um minueto, que poderia ter sido pensado para esta Sinfonia. Sendo o minueto um género que normalmente era apresentado depois do andamento lento (2º), a colocação deste esboço logo após o andamento inicial é invulgar, e não existem portanto certezas quanto às intenções de Mozart.

    O Allegro vivace inicial evidencia contrastes alternados e sucessivos de dinâmicas (forte/piano) que conferem ao primeiro tema principal o seu carácter festivo e assertivo, mas também de pendor dramático, reforçado através destas transições súbitas e do uso dos trompetes e dos tímpanos. Nota-se aqui a influência da música instrumental italiana, já que Mozart opta por figuração e motivos que reiteram funções harmónicas, em detrimento da opção por linhas em estilo cantabile, uma característica normalmente associada a Mozart, mas que não se revela tão prevalecente neste andamento. O segundo tema principal é baseado na elegância do ritmo lombardo, que consiste na sequência de uma nota curta e acentuada e outra nota longa; a combinação destes elementos rítmicos confere um carácter específico às secções em que predomina.

    O Andante di molto apresenta uma orquestração diferenciada em relação aos outros andamentos, utilizando apenas as cordas, com o reforço no registo grave pelo fagote. Esta depuração instrumental, que se inicia com um diálogo entre violinos e violas de arco, introduz um timbre contrastante com a paleta de instrumentos presente nos restantes andamentos, e um clima de intimidade e delicadeza que prevalece durante todo o andamento.

    O Finale: Allegro vivace sugere um carácter de dança viva e rápida, de ritmo ternário, que poderia ser associado a tipologias como a dança tradicional italiana tarentella, ou mesmo a giga de origem inglesa, que era frequentemente incluída em suites instrumentais do período Barroco mas de utilização mais rara no período Clássico; Mozart não voltaria aliás a usar esta tipologia nas suas sinfonias. Neste andamento nota-se a importância que Mozart normalmente confere à articulação entre os naipes de cordas e os naipes de sopros, dando destaque aos oboés, que asseguram o diálogo com as cordas em várias secções.


    Helena Marinho, 2015 

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