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  • 1. Bewegt, nicht zu schnell

    (Agitado, não demasiado rápido)

    2. Andante, quasi Allegretto

    3. Scherzo: Bewegt (Agitado)

    Trio: Nicht zu schnell, keinesfalls schleppend

    (Não demasiado rápido, mas sem arrastar)

    4. Finale: Bewegt, doch nicht zu schnell

    (Finale: Agitado, mas não demasiado rápido)

     

    Apesar de ser visto como um aliado da “nova escola alemã” de Wagner e Liszt em termos da sua linguagem musical e das durações generosas das suas obras mais importantes, Anton Bruckner nunca escreveu nos géneros principais associados àquela escola – a ópera e o poema sinfónico narrativo. Em vez disso, manteve-se fiel às tradições mais antigas da música religiosa e da sinfonia aparentemente abstracta. Mas tem havido sugestões persistentes de que as suas sinfonias poderão ser na realidade “sobre” algo extramusical, em muitos casos talvez um reflexo da fé católica romana do compositor. Num dos casos, a Quarta Sinfonia, Bruckner atribuiu-lhe um título – “Romântica” –, tendo comentado com amigos que o tema era centrado nos ingredientes da poesia romântica: a era medieval, a caça, serenatas e, mais do que tudo, a natureza.

    O título foi associado à Sinfonia desde as etapas mais iniciais da sua complexa génese. Bruckner compôs a primeira versão da obra em 1874, enquanto lutava para se afirmar como compositor e professor em Viena. Reviu a minuciosamente em 1878, substituindo o Scherzo original e reescrevendo completamente o Finale; e voltou a reescrever o Finale em 1880. Foi com esta configuração que a Sinfonia foi estreada em Viena, no ano de 1881, sob a direcção do grande maestro wagneriano Hans Richter, com grande sucesso. Mais tarde, no mesmo ano, Bruckner fez algumas revisões antes da segunda apresentação, a que se seguiram mais cortes e alterações em duas ocasiões: a primeira em 1886, numa partitura enviada ao maestro Anton Seidl, em Nova Iorque, na esperança vã de que este aí encontrasse um editor para a obra; a segunda em 1888, ao prepará-la para publicação no ano seguinte. Esta noite é interpretada a versão editada por Leopold Nowak em 1953, que apresenta essencialmente a versão final de 1881, rejeita as emendas de 1888 realizadas sob a pressão de amigos bem-intencionados e não validadas pela assinatura de Bruckner, incorporando contudo as emendas de Nova Iorque.

    O primeiro andamento tem a indicação (em alemão, segundo a preferência do compositor) “Agitado, não demasiado rápido”. Bruckner descreveu a sua abertura a um amigo como representando uma cidade medieval ao romper do dia, com os toques da manhã a soarem nas torres e cavaleiros saindo para o interior da “magia da natureza”; segue-se “murmúrios da floresta – canto de pássaro – e assim prossegue o desenvolvimento do quadro romântico…” O chamamento de trompa inicial sobre cordas num tremolando sombrio parece sem dúvida coincidir com a descrição de Bruckner; os cavaleiros podem ser presumivelmente identificados com o tema seguinte que avança em passos largos em toda a orquestra, com o característico “ritmo de Bruckner” alternando a divisão do tempo em duas e em três partes; e há um vestígio de canto de pássaro no contrastante Gesangsperiode ou “episódio de canto”, que é abordado e articulado por mudanças de tonalidade schubertianas. Mas, depois disto, qualquer sugestão de narrativa é seguramente suplantada por procedimentos puramente musicais. A terminar a exposição, o tema em passos largos e o episódio de canto são repetidos de forma variada. Um longo rufo de timbale em Si bemol estabelece a ligação com a secção de desenvolvimento, que reintroduz o chamamento de trompa, atinge um clímax possante no tema de passos largos e termina com uma passagem calma de contraponto nas cordas derivada de uma linha interior do episódio de canto. Na recapitulação, o primeiro tema ganha novas contramelodias na flauta e depois nos violoncelos, e o episódio de canto aparece uma única vez; os chamamentos da trompa regressam e dominam a coda gloriosa.

    Bruckner sintetizou o segundo andamento – que tem o título genérico Andante, qualificado na indicação de tempo mais específica com quasi Allegretto – como “canção, oração, serenata”. Mas a tonalidade, Dó menor, é a da Marcia funebre na Sinfonia Heróica de Beethoven, e o andamento estável de uma marcha fúnebre parece estar na base do primeiro tema, especialmente quando apresentado pelas madeiras sobre violoncelos e contrabaixos em pizzicato. Depois de um calmo coral pelas cordas, há também um fundo regular em pizzicato para o segundo tema das violas. De entre as duas ideias principais, é a primeira que predomina na extensa edificação do clímax da secção intermédia de desenvolvimento e coda.

    O terceiro andamento é um Scherzo (composto pelas secções scherzo e trio) em Si bemol maior, com uma ideia principal nas trompas – no “ritmo de Bruckner” antecedido por um contratempo – a que o compositor chamou, na partitura, Jagdthema ou “tema de caça”. Ainda na primeira secção (scherzo) é incluída uma segunda ideia mais lírica, num tempo mais lento. Mas o grande contraste surge no trio em Sol bemol maior, em tempo de Ländler e assinalado “Não demasiado rápido, mas sem arrastar”, que Bruckner descreveu numa carta como “entretenimento musical dos caçadores nos bosques”. O scherzo é repetido sem alterações.

    O compositor descreveu o Finale de 1878 da Sinfonia como um Volksfest ou “festival do povo”, mas não deixou pistas quanto a interpretações programáticas do sucessor de 1880 – excepto no que respeita à intencionalidade do progresso da própria música. O andamento inicia-se com uma introdução, que se vai construindo a partir de uma ideia melódica com um grande movimento descendente seguido de um passo mais pequeno. Quando a parte central do andamento se faz ao caminho, é este o embrião do seu forte primeiro tema, em Mi bemol menor – que passa brevemente a maior para uma reminiscência do chamamento de trompa da abertura da obra. Um episódio lírico contrastante retoma inicialmente a tonalidade de Dó menor e o passo fúnebre – embora não os temas – do andamento lento. Na verdade, a música nunca é muito rápida, e depois de uma severa intervenção orquestral a secção de abertura termina lenta e calmamente. A secção central de desenvolvimento, depois de atingir um patamar climáctico, abranda também até quase parar, amainando num calmo rufo de timbales antes de a orquestra completa arrancar repentinamente com o início da recapitulação. Aqui não há vestígios do tema de chamamento da trompa, e dificilmente se vislumbra a tonalidade original da Sinfonia, Mi bemol maior; mas ambos ressurgem precisamente no fim da coda vigorosa.

     


    Anthony Burton

    Tradução: Fernando Pires de Lima.

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