• 1. Andante – Allegro eroico

    2. Andante tranquillo

    3. Moderato, quasi allegretto

    4. Allegro risoluto

     

    A Sinfonia n.º 4, uma obra do período americano de Prokofieff, foi composta em 1929, na sua primeira versão op. 47, numa encomenda realizada por Serge Koussevitzki para a Orquestra Sinfónica de Boston. Estreou em Novembro do ano seguinte sem grande sucesso, para surpresa do compositor que se manteria afastado durante alguns anos do género sinfónico. A pausa terminou na primeira metade dos anos 40 quando compôs as Sinfonias n.º 5 e n.º 6, partituras de maior envergadura e com uma concepção orquestral grandiosa. De certo modo, estes dois trabalhos lançaram Prokofieff na revisão da modesta Sinfonia n.º 4, procurando igualá-la à dimensão estética e estilística das duas sinfonias que acabara de compor.

    O período dos anos 40 foi particularmente rico em episódios marcados pela interferência do sindicato dos compositores da União Soviética no afastamento de nomes que não alinhassem com a ideologia do regime. As perspectivas que se apartassem do realismo e fossem apelidadas de “formalistas” seriam rapidamente excluídas do panorama musical e artístico. Em diferentes níveis, os compositores foram afectados por essas directrizes, ainda que, no caso de Prokofieff, tenha sido apenas efectuado um aviso. Por vários motivos, o compositor considerou uma oportunidade de rever a sua Quarta Sinfonia, que de resto não tinha alcançado o êxito da Quinta, sendo tão elevado o número de alterações que optou por registá-la como uma nova obra.

    A revisão definitiva da Sinfonia n.º 4, agora op. 112, foi concluída em 1947 e apresenta diferenças muito significativas quando comparada com a op. 47: não apenas numa perspectiva estilística, mas também na concepção formal, na textura orquestral e na própria identidade, sendo duas obras, de facto, separadas. No entanto, podemos encontrar pontos de contacto entre as duas, em particular o material musical que deriva de outra obra – O Filho Pródigo, música para ballet composta para a companhia Ballets Russes de Diaghilev, em 1928/29 – e várias secções internas comuns.

    A Sinfonia n.º 4, op. 112 divide-se em quatro andamentos.
O primeiro, um Andante – Allegro eroico, apresenta material novo quando comparado com a versão anterior, nomeadamente a introdução ou a secção do desenvolvimento, consideravelmente mais extensa do que a anterior. Segundo alguns especialistas na obra de Prokofieff, conseguimos ouvir neste andamento uma releitura do anterior, com um efectivo maior influenciando directamente as possibilidades de orquestração do compositor – que acrescenta alguns compassos aqui e ali, utiliza instrumentos como o clarinete em mi bemol, e elabora mais algumas ideias musicais. O andamento alterna entre paisagens sonoras mais tranquilas e outras intensas e fortes, com a exploração dos metais e percussão, terminando de forma triunfal.

    No andamento lento observamos a utilização de linhas melódicas mais expressivas, começando na simbiose entre madeiras e cordas, procurando sempre alguma simplicidade na orquestração. De resto, uma parte do material deste andamento surgiu de uma secção do bailado supracitado, num Andante tranquillo introspectivo e por vezes sonhador.

    O terceiro andamento, também ele com origem na música para o bailado, explora de certo modo a sensualidade e graciosidade, pois inspira-se na dança da Bela Donzela que procura seduzir o filho pródigo. Este elemento é determinante na orquestração, em que os instrumentos parecem ganhar vida e ilustrar esta história.

    O quarto andamento é, de todos, o que mais alterações sofreu, não só nas suas várias secções como na nova coda que foi criada para um final imponente, digno de uma grande sinfonia. A música apresenta um carácter desafiador, com motivos curtos e mudanças rápidas, espelhando mais uma vez um dos episódios do bailado em que se inspira: a ânsia do filho pródigo de escapar da sua casa e da sua família. A obra termina de forma intensa com a coda, fazendo uso do tutti para criar um efeito pujante em crescendo.

     


    Pedro Russo Moreira, 2016 

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