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  • 1. Allegro vivace

    2. Andante cantabile

    3. Minuetto: Allegretto

    4. Molto allegro

     

    Mozart escreveu a sua primeira sinfonia em 1764, aos oito anos de idade, e a última, a magnífica “Júpiter” n.º 41 em Dó maior, três anos antes de falecer. Foi composta em conjunto com as Sinfonias n.º 39 (Mi bemol maior) e n.º 40 (Sol menor), num inimaginável curto período de apenas nove semanas, no Verão de 1788, pouco depois da estreia de Don Giovanni. Todavia, estas três obras sinfónicas colocaram-se e permanecem, até hoje, no patamar selectivo das obras-primas referenciais do repertório sinfónico.

    Não há registo de terem sido estreadas em vida do compositor: apenas se assinala a apresentação de uma “grande sinfonia” de Mozart na Tonkünstler Sociatät em Abril de 1791; como a “Júpiter” inclui trompetes e tímpanos – o que a define como uma “grande” sinfonia – talvez possa ter sido, de facto, interpretada nessa altura. A designação de “Júpiter” é atribuída a Johann Peter Salomon, violinista e empresário alemão radicado em Londres (responsável pelas encomendas a Joseph Haydn das Sinfonias de Londres), e surge mais tarde e apenas na primeira edição impressa da Sinfonia, já no século XIX. Na verdade, tomar o título do mais poderoso deus do mundo romano parece fazer sentido para a Sinfonia que, para alguns, fez revelar justamente a existência de Deus, graças à sua supremacia formal e perfeição anímica.

    Nikolaus Harnoncourt sugeria que as três últimas sinfonias seriam, na verdade, um ciclo. A ser assim, a “Júpiter” dará continuidade à n.º 40; se na Sinfonia anterior se evocam dúvidas, aqui convocam-se certezas.

    O primeiro andamento, Allegro vivace inicia-se firmemente ancorado na tónica, com autoridade, antecipando uma sucessão surpreendente de diferentes temas, caracteres, personagens e modelações, sempre com elegância, determinação e fulgor, num sucedâneo de humores controlado ao milímetro com mão de mestre, com recurso a uma orquestração genial que usa os sopros a pontuarem, passo a passo, cada recorte dramático.

    O segundo andamento, Andante cantabile, desenrola-se num ambiente onírico, com as cordas em surdina e os sopros num registo intimista. Entre a calma e a angústia, entre a luminosidade e a sombra, ressalta a nobreza do cantabile.É um andamento ambíguo: a partitura pede cantabile, mas a música parece querer rebelar-se. OMinuetto: Allegretto traz de volta o ambiente do primeiro andamento, com segurança, solenidade e elegância, fazendo a ponte para o andamento seguinte, onde vários séculos de História da Música irão convergir e influir.

    O finale Molto allegro é, a todos os títulos, extraordinário, mesmo para os padrões de Mozart. De uma propulsiva exuberância, um motivo de quatro notas dá origem a um intrincado contraponto, minuciosamente elaborado, com a secção das madeiras em escalas descendentes cromáticas densamente harmonizadas, levando ao tour de force final: uma fuga a 5 partes invertida, numa explosão notável de textura orquestral de magnitude monumental.

    Na primeira biografia de Mozart, publicada em 1828, Georg Nikolaus von Nissen afirma que “a sua Grande Sinfonia em Dó, com a fuga final, é verdadeiramente a primeira de todas as sinfonias. Em nenhuma obra musical o toque divino do génio brilha mais e de forma mais bela”

    Na Sinfonia n.º 41, Mozart alargou definitivamente o espectro emocional da escrita sinfónica, numa pulsão luxuriante que prefigura a vasta tela expressiva que virá a emergir nas sinfonias de Beethoven.

     


    Gabriela Canavilhas, 2017 

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