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  • 1. Moderato

    2. Allegretto

    3. Largo

    4. Allegro non troppo

    A Quinta Sinfonia (de um total de quinze) de Chostakovitch foi escrita entre Abril e Julho de 1937 e estreada pela Filarmónica de Leninegrado, sob a direcção de Evgueni Mravinski, em Novembro de 1937. Foi a primeira obra de grandes dimensões após a ópera Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk, a qual tinha sido severamente criticada pela imprensa soviética, críticas essas instigadas por Estaline, sendo Chostakovitch declarado “inimigo do povo”. A Sinfonia, classificada por um jornalista como “a resposta de um artista soviético a um criticismo justificado”, representou um risco considerável. Para restabelecer o seu lugar na sociedade, Chostakovitch poderia ter escrito uma mera cantata patriótica, em vez de enveredar por um género “formalista” e abstracto como uma sinfonia. Mas, ao escrever uma sinfonia, tornou claro que a resposta ao criticismo seria dada de acordo com as suas regras. O sucesso imediato que a obra teve junto do grande público, juntamente com a sua aparente conformidade com a insistência soviética em finais positivos, deu-lhe de novo uma posição favorável no regime – reforçada pelo sucesso internacional da Sinfonia Leninegrado no tempo da guerra – que apenas viria a ser de novo ameaçada com os movimentos anti-modernistas em 1948.

     

    O primeiro andamento em tempo moderado e na tonalidade de Ré menor estabelece a seriedade e escala de toda a sinfonia. A secção de abertura apresenta dois grupos de temas – o primeiro retórico, o segundo muito mais lírico; a secção de desenvolvimento (que começa com a primeira entrada do piano) acelera o tempo gradualmente com paródias um pouco brutais aos primeiros temas; a recapitulação desacelera gradualmente para terminar em plena tranquilidade.

    O segundo andamento é um scherzo e trio em Lá menor, reminiscente dos scherzos de Mahler no seu leve carácter de Ländler cheio de bom humor. É seguido de um Largo em Fá sustenido menor de uma grande intensidade trágica (escrito sem metais e com as cordas muito divididas), e desenvolve-se organicamente sem quase se repetir desde a sossegada abertura até ao apaixonado clímax, terminando em silêncio.

    O Finale inverte a forma do primeiro andamento. Começa com uma poderosa e rápida marcha em Ré menor; tem uma secção central que transforma essas mesmas ideias num cenário mais calmo, mesmo de quietude; a marcha reaparece vinda de um lugar distante para um final resplandecente em Ré maior. Este terá sido o aparente final optimista que reabilitou socialmente Chostakovitch; mas alguns ouvintes encontraram neles dois lados de uma moeda. Nas memórias do compositor, Testemunho, que certamente reflectem o seu estado de espírito nos últimos anos de vida, ele descreveu o dito optimismo da seguinte forma: “É como se alguém lhe estivesse a bater com uma vara, e você se levantasse, tremendo, e se retirasse resmungando – estamos cá para rejubilar, estamos cá para rejubilar! Que espécie de apoteose é essa?”


    Anthony Burton, 2006

    Tradução: Rui Pereira

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