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  • 1. Adagio – Allegro non troppo

    2. Allegro con grazia

    3. Allegro molto vivace

    4. Adagio lamentoso

    A Sinfonia n.º 6, op. 74, “Patética”, em Si menor, é a última sinfonia composta por Piotr Ilitch Tchaikovski, tendo ficado indelevelmente associada à sua morte. Apresentada publicamente pela primeira vez a 28 de Outubro de 1893, no primeiro concerto sinfónico da temporada da Sociedade Musical Russa, sob a direcção do próprio Tchaikovski, a estreia da “Patética” precederia de poucos dias a morte do seu criador. Se a reacção do público à primeira apresentação foi de alguma perplexidade perante o cariz soturno, nomeadamente do último andamento (um nada convencional Adagio lamentoso), a partir do concerto póstumo de homenagem a Tchaikovski, dirigido por Vasilii Safonov a 16 de Dezembro, as leituras do significado da obra passaram pela ideia de aviso de suicídio, revelação da homossexualidade, ou “um canto do cisne, um pressentimento de morte iminente”, como seria então publicado na Gazeta Musical Russa. Contudo, a Sinfonia n.º 6 surge na linha de outras obras compostas na última fase da sua vida fazendo parte de um ciclo que tem início com a Bela Adormecida, passando pela Dama de Espadas, por Iolanta ou pelo Quebra-Nozes. A temática destas peças parece ser sobretudo a da passagem da utopia e da fantasia à realidade, das aspirações às desilusões, ou eventualmente a ideia da fatalidade do destino, temática que, de resto, se desenhava já em obras como O Lago dos Cisnes ou Eugene Onegin.

    A génese da “Patética” remonta a Outubro de 1889, altura em que Tchaikovski havia expressado a Konstantin Romanov o seu desejo de compor uma sinfonia dedicada ao Czar. Iniciando-a em 1891 (numa altura de alguma angústia após o regresso dos Estados Unidos e do parco sucesso de Quebra-Nozes), o compositor, insatisfeito, acabou por destruir os manuscritos para regressar à ideia sinfónica apenas dois anos mais tarde. Composta finalmente entre Fevereiro e Março de 1893 e orquestrada durante o Verão do mesmo ano, apesar de alguns adiamentos por motivos de ordem profissional e pela atitude minuciosa de Tchaikovski, a Sinfonia n.º 6 foi vivida com muito entusiasmo e confiança, como o confirma a correspondência do compositor que acreditava estar perante uma das suas obras mais bem conseguidas e delineava ainda planos para projectos ulteriores. A 22 de Fevereiro de 1893, o compositor escrevia ao seu irmão Anatolii Tchaikovski: “Todos os meus pensamentos estão agora repletos da minha nova composição (uma sinfonia) sendo-me muito difícil separar-me desta tarefa. Na minha opinião esta será a melhor das minhas composições. A sinfonia deverá ser terminada tão rapidamente quanto possível porque tenho muito mais trabalho”.

    Tchaikovski partilhou com o seu sobrinho Vladimir L’vovich Davidov (dedicatário final da obra) a ideia de que havia um programa subjacente à sua Sinfonia n.º 6preferindo, contudo, não o divulgar e revelando apenas que o programa em si estaria “repleto de subjectividade”. Ao contrário de outras obras suas em que as ideias musicais apresentam significados explícitos (canções tradicionais ou semelhantes recursos estilísticos), a “Patética” encontra-se recheada de possíveis níveis de interpretação, desde a alusão à Sonata “Patética” de Beethoven, ao Tristão e Isolda de Wagner ou ao tom de lamento do andamento final.

    O epíteto pelo qual conhecemos hoje a Sinfonia n.º 6, Patetičeskaja (“Patética”), remetendo para a ideia de sofrimento ou de paixão, teria sido sugerido no dia seguinte à estreia da obra pelo irmão de Tchaikovski, Modest. Apesar das dúvidas do compositor perante esta proposta, após a sua morte o editor optou por mantê-la.

    Lúgubre e dolorosa, formalmente pouco ortodoxa, a Sinfonia n.º 6 é o culminar do estilo orquestral intimista do compositor. O primeiro andamento Adagio – Allegro non troppo segue o desenho da forma-sonata, recorrendo a uma fina teia de citações na construção da dialéctica temática de que é exemplo o Requiem da igreja ortodoxa russa, claramente associado à ideia de morte. O Allegro con grazia subsequente trata-se de uma valsa com um carácter balanceado a que se segue o terceiro andamento, também em estilo de dança, uma marcha Allegro molto vivace em forma de scherzo. O último andamento, ao contrário do esperado Allegro final, revela-se como um Adagio lamentoso onde duas melodias contrastantes são tocadas e repetidas sem a intervenção de um desenvolvimento, terminando a Sinfonia num fio sussurrante de som, prenúncio do silêncio final.

     


    Rosa Paula Rocha Pinto, 2016

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