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  • 1. Adagio – Allegro di molto

    2. Andante

    3. MenuettoTrio

    4. Presto

    5. Adagio (di Lamentatione)

    6. Finale: Prestissimo 

     

    Composta como música de cena para a versão germânica da comédia francesa Le Distrait, de Jean-François Regnard, estreada na corte dos Esterházy no Verão de 1774, esta sinfonia ganha por isso o nome de O Distraído. E é por ter sido a única obra de cena de Haydn que quebra algumas das regras da sinfonia clássica, que ele próprio cristalizara. Por exemplo, em vez de três ou quatro andamentos, tem seis: a abertura, quatro entreactos e o final. E será também esta a razão pela qual a música desta sinfonia é tão expressiva: conseguimos percepcionar mal-entendidos, absurdos, enganos e piadas através apenas daquilo que ouvimos. Porém, seja nas fanfarras militares ou nas melodias populares francesas, seja nos temas gregorianos ou nas interrupções e nas modulações repentinas, o carácter melódico e sagaz de Haydn está sempre presente.

    Na altura em que foi estreada, a Sinfonia tornou-se bastante popular, mas Haydn, possivelmente assolado pelo distanciamento temporal que leva quem cria a reapreciar o que faz, referiu-se décadas mais tarde à sinfonia como “aquela velha panqueca” – o que não significa que tivesse perdido orgulho nela, poderá ter sido apenas o seu sentido de humor manifestando-se.

    Após uma breve introdução, explode uma fanfarra majestosa (em forma-sonata), que de seguida se perde numa secção assinalada como perdendosi (morrendo) e que é associada ao carácter aluado de uma das personagens principais da peça, o distraído Monsieur Léandre.

    No segundo andamento, o diálogo que Haydn compôs entre as delicadas cordas e as intrusivas madeiras remete-nos para o flirt entre a jovem Isabelle e o galante soldado (Chevalier). Este andamento caracteriza-se por um lirismo quase schubertiano, que inclui referências a uma dança popular francesa.

    Segue-se um minuete clássico, que é interrompido pela referência ao surgimento do distraído (Leándre) quando uma nova linha melódica vagueia, subindo e descendo, como que procurando algo, até regressar o minuete cortês.

    O facto de o quarto andamento soar a uma perseguição parece ser uma alusão à tentativa de conquista da sogra pela parte do Chevalier, interrompida por um final rápido que será o momento em que Clarice encontra Isabelle escondida no quarto de Leándre.

    Um Adagio di Lamentatione é interrompido por uma breve fanfarra (é a primeira vez que Haydn introduz tímpanos e trompetes num andamento lento – só o repetirá na 88ª sinfonia) que murcha lentamente até ser retomado o Adagio, terminando num accelerando constante.

    Já o último andamento traz consigo a maior piada musical de todas, que de novo acompanha o que acontece em cena: o distraído Leándre, já depois dos dramas resolvidos, esquece-se do seu próprio casamento! Haydn faz com que a música pare por completo e as cordas afinem os seus instrumentos, como se também na orquestra tivesse havido uma distracção.

     


    Helena Lopes Braga, 2017 

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