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  • 1. Poco sostenuto – Vivace

    2. Allegretto

    3. Presto

    4. Allegro con brio

     

    A divisão temporal da história da música em a.B. e d.B. (antes e depois de Beethoven) tem algum fundamento quando observada pela perspectiva que advoga uma tradição sinfónica com base em obras que obrigam a apresentações públicas de grandes recursos e que partem, na sua concepção, de ideias extra-musicais.

    No início do século XIX, Beethoven apresentou uma série de trabalhos com origem em diversos ideais extra-musicais. A partir destas obras, personificou o ideal romântico de um compositor que manifesta as suas crenças pessoais para além do conteúdo puramente musical das obras que compõe e das intenções dos mecenas que as encomendam. Beethoven passa a representar o génio do livre-pensador, do homem que age por vontade própria, conceito em si mesmo altamente inovador e libertador.

    Não será fácil reunir consenso em torno dos acontecimentos que teriam motivado Beethoven a compor a 7ª Sinfonia. Muitos poderão considerar que não teria de existir um motivo, muitos rejeitam a hipótese de também esta ser uma obra resultante do ideal sinfónico e de algum intuito extra-musical estar na base da sua concepção.

    É certo que os anos que antecederam a composição foram inspirados pelo ideal sinfónico e resultaram em obras como as Sinfonias Eroica e Pastoral, a Sonata Waldstein, o Concerto Imperador ou a obra que estreou no mesmo dia que a 7ª Sinfonia, o espalhafatoso poema sinfónico A Vitória de Wellington. À Sétima falta, é claro, um título pelo qual seja conhecida e o qual lhe conceda um conteúdo semântico que estimule a imaginação do ouvinte. Wagner quis¬ atribuir-lhe o nome de “apoteose da dança”, reflectindo os inúmeros ritmos de dança que se ouvem ao longo do seu desenrolar. Outros atribuíram-lhe as imagens de um banquete em celebração das vindimas e Arnold Schering viu nos quatro andamentos da sinfonia cenas de um romance de Goethe.

    Em termos musicais, a 7ª Sinfonia representa o cimentar de um novo rumo que Beethoven deu à música. A introdução lenta do primeiro andamento, a exemplo da primeira, segunda e quarta sinfonias, é a mais longa até aí composta. Tem início com uma serena melodia em notas longas que parece sair de acordes sucessivos que, ao mesmo tempo, a interrompem. Cada vez que os acordes soam, introduzem novas linhas que vão tornando a textura mais densa. Por altura do compasso 15, a sinfonia assume já um carácter contrapontístico e que resulta num grande esplendor pela introdução de várias escalas ascendentes. O naipe das madeiras apresenta uma marcha e a música deambula por entre este tema de ar grave e o motivo da abertura, até que se chega à nota Mi, que Beethoven repete mais de setenta vezes num verdadeiro desafio ao ouvinte.

    É extraordinária a unidade rítmica que conduz toda a sinfonia como uma longa procissão, principalmente o segundo andamento, um dos mais belos que Beethoven escreveu. É composto de um tema e seis variações que se tornam características nos motivos novos que apresentam. De salientar o elegíaco tema da terceira, e a fuga da quinta variação.

    O Presto do Scherzo é uma inesperada dança na tonalidade de Fá maior, também ela ousada, de carácter humorístico e que contrasta com um motivo inspirado numa canção de peregrinos. Esse motivo de inspiração é realçado pela orquestração. Metais e madeiras ao estilo de órgão, e as cordas com um efeito de gaita-de-foles.

    A energia do Scherzo é superada pela acentuação no segundo tempo do quarto andamento, o mais virtuoso da sinfonia. Aqui não há tempo para respirar, desde as rápidas semicolcheias dos violinos até aos estridentes e sonoros metais que dão um ar majestoso, quase imperial, à 7ª Sinfonia.

    Pela sua unidade rítmica, invenção harmónica, equilíbrio estrutural e domínio das técnicas de composição, a 7ª Sinfonia é considerada por vários autores como a melhor sinfonia de Beethoven.

     


    Rui Pereira, 2016

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