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  • 1. Allegro moderato

    2. Adagio. Muito solene e muito lento

    3. Scherzo. Muito rápido

    4. Finale. Animado, mas não rápido 

     

    A Sétima Sinfonia de Anton Bruckner, em Mi maior, dedicada ao patrono de Wagner, Luís II da Baviera, foi composta entre 1881 e 1883. Entre todas as sinfonias de Bruckner é a mais executada e, provavelmente, a mais admirada, facto que parece dever-se ao seu incomparável Adagio – uma sentida homenagem fúnebre a Richard Wagner, que morreu quando Bruckner trabalhava precisamente neste andamento. É a primeira obra de Bruckner a incluir a tuba wagneriana e o autor do Anel do Nibelungo constitui-se numa inquietante presença fantasmagórica, pairando sobre todos os andamentos como um espectro influente.

    O primeiro andamento – Allegro moderato – inicia-se com um dos temas mais longos e líricos de Bruckner, uma melodia elegíaca entregue à trompa solo e aos violoncelos, que é continuada pelas violetas e concluída pelo clarinete em Lá. O elevado grau de cromatismo deste tema recorda imediatamente a música de Wagner. A uma distância relativamente curta o oboé e o clarinete introduzem o segundo tema (em Si menor), sobre um tapete de tremolos feito pelas trompas. As harmonias e as combinações tímbricas remetem uma vez mais para Wagner, seguindo-se um trabalhado desenvolvimento, no qual o uso do contraponto deixa reconhecer o parentesco com a ópera de Wagner Os Mestres Cantores.

    Bruckner começou a compor o segundo andamento – Adagio. Sehr feierlich und sehr langsam – poucas semanas antes da morte de Wagner. Numa carta a Felix Mottl escreveu: «Um dia regressei a casa num estado de grande tristeza, pensando para comigo que o Mestre não viveria muito mais. Nesse instante ocorreu-se-me o tema em Dó sustenido menor deste Adagio». O tema – Muito solene e muito lento – é entregue às tubas wagnerianas, instrumento construído por Wagner para o seu Anel do Nibelungo e que Bruckner utiliza aqui pela primeira vez. O quinteto das quatro tubas wagnerianas com a tuba contrabaixo confere à orquestra de Bruckner uma sonoridade mais profunda e calorosa, ao mesmo tempo que a aproxima estilisticamente da concepção tímbrica de Wagner. O tema principal é retomado pelos violinos alargando-o a uma melodia extraída do “Non confundar” do Te Deum, obra que Bruckner estava a compor na mesma altura (1881-1884). Quando o tema principal volta a aparecer no final deste andamento, tocado pelas tubas, é acompanhado por sextinas ascendentes das cordas, uma figuração característica do Tannhäuser. Além disso a própria escolha da tonalidade de Dó sustenido menor configura uma homenagem a Wagner, que escreveu detalhadamente sobre esta tonalidade e sobre o seu uso musical, nomeadamente no Quarteto em Dó sustenido menor, op.131, de Beethoven. A morte efectiva de Wagner, a 13 de Fevereiro de 1883, levou Bruckner a rever a Coda, secção que constitui a essência da música fúnebre dedicada a Richard Wagner, fazendo deste andamento, a par da Marcha Fúnebre da Terceira Sinfonia de Beethoven, um dos mais tocantes rituais de exéquias sonoros do século XIX.

    Apesar de escrito antes do comovente segundo andamento, o Scherzo, em Lá menor, parece ter sido composto no pressentimento de algo perturbador: é um momento demoníaco, com aspectos grotescos e obsessivos. O apelo do trompete impõe-se como uma voz ao mesmo tempo lúgubre e vincada, carácter sublinhado pelo acompanhamento agitado das cordas em pianissimo. O Trio central, em Fá maior (Algo mais lento), revela uma secção lírica, muito cantável e idílica, estabelecendo um acentuado contraste com o Scherzo, que se volta a ouvir Da capo.

    O Finale (Bewegt, doch nicht schnell) resolve o problema bruckneriano do último andamento de maneira nova e original, nomeadamente ao relacionar o primeiro tema com o tema inicial do primeiro andamento. Dado que o andamento de maior peso desta Sétima Sinfonia é o Adagio, Bruckner não sentiu aqui a necessidade de compor um andamento final de cariz culminante ou apoteótico. Trata-se muito mais de estabelecer e revelar pontes de contacto com o andamento inicial, criando assim uma unidade global em forma de “moldura”, que se define através das suas relações com o “centro” da sinfonia. Depois de apresentar os três temas, Bruckner opta por uma reexposição em movimento contrário, isto é, os temas regressam na ordem inversa da sua primeira aparição, gerando uma forma simétrica, na qual o primeiro tema se volta a ouvir como último. A Coda inicia-se pelas trompas em piano, preparando um crescendo poderoso que concluirá a sinfonia de modo festivo e pomposo. Ao retomar aqui uma vez mais o tema inicial do primeiro andamento, Bruckner insiste na ideia de círculo fechado, coroando esta sua sentida homenagem a Wagner com uma sugestiva unidade musical.

     


    Paulo de Assis, 2009

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