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  • 1. Adagio – Allegro molto

    2. Largo

    3. Scherzo: Molto vivace

    4. Allegro con fuoco

     

    A Sinfonia n.º 9 de Antonín Dvořák, mais conhecida como Sinfonia do Novo Mundo, pode ser vista como um símbolo do chamado sonho americano. Quem diria que, em pleno século XIX, o filho de um talhante de uma pequena vila a norte de Praga se iria tornar director do Conservatório de Música de Nova Iorque, com residência numa das artérias mais exclusivas de Manhattan e com honras de dirigir a sua própria música no recém-estreado Carnegie Hall. O convite partiu de uma milionária norte-americana, de seu nome Jeannette Thurber, casada com um comerciante de grande sucesso. A Sra. Thurber não se poupou a esforços para manter Dvořák agradado nos Estados Unidos e sobretudo livre de preocupações para poder executar as suas funções, muito particularmente a composição, da melhor forma possível. E, na verdade, o resultado não podia ter sido melhor e mais produtivo. Na sua primeira estadia americana, Dvořák compôs a Sinfonia do Novo Mundo, a Sonata para violino em Sol, as Canções Bíblicas, o Quarteto Americano e o Quinteto de cordas op. 97, um verdadeiro punhado de obras-primas.

    A Sinfonia do Novo Mundo representou um triunfo sem precedentes na carreira de Dvořák. As suas próprias palavras testemunham o aplauso do público presente na estreia dirigida pelo prestigiado maestro húngaro Anton Seidl: “Tive que demonstrar a minha gratidão como um rei desde o seu camarote (…) parecia o Mascagni em Viena!”. Após o estrondoso sucesso, os jornais não pouparam elogios: “A maior obra sinfónica jamais escrita neste país”, anunciava o New York Evening Post. A grande questão em torno deste sucesso prende-se com as características de identificação nacional que o público esperava ouvir. Dvořák era conhecido como o pai da música checa, algo questionável pela anterioridade de Smetana mas verdadeiro no sentido do reconhecimento internacional da sua obra e na forte inspiração no folclore checo e eslavo. Era agora esperado que, ao viver nos Estados Unidos, fosse capaz de escrever música a que se reconhecesse uma característica norte-americana. E Dvořák triunfou logo no primeiro andamento da sinfonia.

    O início da sinfonia é pleno de nostalgia, começando com uma sonoridade quente e, simultaneamente, um pouco sombria, no registo grave das cordas. Após a introdução lenta, Dvořák reserva temas plenos de charme para o Allegro. Muitos autores fazem associações com a semelhança entre os temas da flauta, do corne inglês e das trompas com canções populares norte-americanas mas, na verdade, todos os temas são originais de Dvořák. Foram escritos sob a influência das canções populares norte-americanas mas só reflectem essa atmosfera sem recorrer a citações explícitas.

    O segundo andamento, o mais célebre da sinfonia, é um Largo, tempo muito lento. É curioso constatar que Dvořák demorou bastante tempo a compreender o tempo a que deveria ser tocado. No primeiro esboço anotou o tema num tempo de Andante, depois Larghetto, e só depois de ouvir os ensaios com o maestro Anton Seidl optou por um Largo. A melodia, mundialmente famosa, é extremamente simples e utiliza uma escala pentatónica de cinco sons. A inspiração terá vindo das canções dos trabalhadores das plantações de algodão que Dvořák ouviu na voz de um dos seus alunos. Mas mais uma vez é uma melodia original de Dvořák. Alguns dos críticos presentes na estreia fizeram associações com as paisagens das planícies norte-americanas, facto que hoje em dia ainda faz mais sentido devido ao tipo de bandas sonoras que acompanham os westerns americanos. Este sentido de paisagem ao ar livre é ainda reforçado por uma passagem em que se ouve o canto dos pássaros. O tema principal deste segundo andamento ficou ainda mais célebre após a sua adaptação ao cinema numa canção chamada Going home. Esta letra, que expressa o sentimento de voltar a casa, reforça o cariz nacionalista do tema.

    O terceiro andamento é um tradicional scherzo e trio, facto que atesta a utilização dos esquemas formais da música europeia nesta construção norte-americana. Mas, novamente, a inspiração é norte-americana. Para terminar a sinfonia, Dvořák tirou da cartola temas inspirados, uns atrás dos outros. O ambiente é dramático. À volta de um tema principal anunciado pelos metais, o compositor evoca os principais motivos dos andamentos anteriores fazendo um resumo épico da sinfonia.

    Já depois de terminar a sinfonia, Dvořák visitou as famosas cataratas do Niágara. Terá exclamado: “Raios! Isto dará uma sinfonia em Si menor”, como que se arrependendo de não as ter incluído na sua Sinfonia do Novo Mundo.

     


    Rui Pereira, 2016 

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