Sonata para piano n.º 12 em Fá maior, KV 332

Wolfgang Amadeus Mozart, Salzburgo, 27 de Janeiro de 1756 / Viena, 05 de Dezembro de 1791

[1783; c.16min]

  • 1. Allegro

    2. Adagio

    3. Allegro assai

     

     

    As 18 Sonatas para piano de Mozart, compostas entre 1774 e 1789, constituem um importante marco musical da literatura pianística da segunda metade do séc. XVIII, espelhando as diversas tendências estéticas e estilísticas do seu tempo, aliadas à criatividade e à inventividade do compositor. Enquanto conjunto, será tentador estabelecer uma linha evolutiva destas obras no conjunto da produção musical de Mozart. Todavia, é mais relevante sublinhar o modo como representam um laboratório experimental não apenas da forma em si, mas também da própria exploração das possibilidades pianísticas no quadro de referências da sua época, com influência de nomes como Joseph Haydn, Carl Philipp Emanuel Bach, Johann Christian Bach ou do estilo dos compositores da Escola de Mannheim. Ao nível estilístico, o reflexo e as apropriações do Estilo Galante, do Estilo Empfindsam ou do Sturm und Drang (tempestade e ímpeto) constituem elementos centrais na aproximação a estas obras. Se nas primeiras sonatas, algumas escritas ainda para cravo, o elemento de dança, herança do Barroco, marca a sua presença, denotamos nas seguintes uma outra preocupação com a retórica musical, com a exploração de um lirismo e de ideias quase operáticas, culminando nas últimas sonatas com o resgatar do interesse pelo contraponto e com novas possibilidades harmónicas.

    A Sonata n.º 12 em Fá maior KV 332 foi composta em 1783, num período em que Mozart visitou Salzburgo com o intuito de apresentar Constanze Weber, sua futura esposa, ao seu pai. A obra foi composta em conjunto com as Sonatas para piano KV 330 e 331 e é, das três, a que apresenta mais material temático contrastante, claramente apoiado no espírito da opera buffa.

    Encontramos, pois, no primeiro andamento, uma riqueza discursiva de materiais musicais bem acomodados na forma sonata. O primeiro grupo temático inicia com um tema mais lírico que contrasta com um segundo em cânone, seguindo-se novo material temático de carácter homofónico. A transição é também ela marcada por um novo carácter com arpejos quebrados ascendentes, conduzindo-nos depois ao 2º grupo temático, também lírico, com a exposição posterior de novo material temático e uma coda conclusiva. Após a secção de desenvolvimento, bastante rica harmonicamente, segue-se a tradicional recapitulação. O segundo andamento, Adagio, apresenta um tema lírico e terno no seu carácter, que é depois embelezado mantendo sempre as características do estilo sensível, com a melodia bem desenhada na mão direita. É relevante referir que, na partitura original, Mozart colocou alguma da sua ornamentação ao tema, atribuindo-lhe assim um carácter de quase improvisação. O último andamento, em forma sonata, contrasta com o anterior por se tratar de um andamento rápido com um tema marcado pelo movimento descendente da mão direita, seguindo-se, depois de uma ponte, um tema mais doce. Também aqui, Mozart introduz vários motivos que remetem em larga medida para o ambiente operático, criando diversos contrastes através do uso dos diferentes materiais musicais.

     


    Pedro Russo Moreira, 2018 

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