Sonata para piano n.º 3, em Si menor, op. 58

Fryderyk Chopin, Żelazowa Wola, 01 de Março de 1810 / Paris, 17 de Outubro de 1849

[1844; c.26min]

  • 1. Allegro maestoso

    2. Scherzo: Molto vivace

    3. Largo

    4. Finale: Presto non tanto 

     

    A Terceira Sonata de Chopin é um dos maiores monumentos da escrita pianística de todos os tempos. Foi composta em 1844 e é uma das suas obras com um ambiente mais fervoroso e simultaneamente luminoso, irradiando uma felicidade transcendental. Do ponto de vista técnico é um marco de virtuosismo, combinando o enorme lirismo da escrita de Chopin com uma concepção orquestral própria das suas últimas obras.

    O primeiro andamento é uma forma­-sonata extremamente livre, a exemplo do que já acontecera com a sonata precedente (da marcha fúnebre) e viria a acontecer com a Sonata para violoncelo e piano. Essa liberdade resulta da omissão do primeiro tema na reexposição. Este primeiro tema de carácter nobre, que tem início com o gesto repentinamente dramático de quatro notas descendentes, é seguido por um outro tema contrastante, muito lírico e poético, o qual domina o andamento.

    Escrito quase no encalço da tradição beethoveniana, o Scherzo começa por apresentar uma veloz perseguição de um mesmo motivo a um ritmo diabólico. Após uma transição surpreendente que deixa uma nota a soar de uma secção para outra, o Trio apresenta um contraponto entre duas melodias.

    O terceiro andamento é um Largo de grandes dimensões em Si maior. Com um início majestoso em oitavas, dá seguimento a uma marcha extremamente sonhadora. O segundo tema, que ecoa por entre arpejos do acompanhamento, aproxima este andamento à estrutura de um nocturno.

    Raramente um Finale tem este efeito grandioso. Parece que toda a sonata foi um preâmbulo a esta cavalgada heróica sobre a qual se canta uma melodia gloriosa. Andamento de grande dificuldade técnica, conta com um segundo tema igualmente empolgante. A sua forma resulta da alternância entre estes dois temas. O andamento termina com uma coda na tonalidade de Si maior verdadeiramente vertiginosa do ponto de vista técnico. 

     


    Rui Pereira, 2017