• 1.Ouverture

    2.Tambourin I e II

    3.Air gay en rondeau

    4.Menuet I e II

    5.Aria: “Lieux funestes”

    6.Bruit de guerre

    7.Chaconne

    Jean-Philippe Rameau iniciou o seu percurso como compositor de óperas em 1733, já com 50 anos. Este início tardio no género deve-se ao sistema de apresentação de obras teatrais em França nesta época, que estava baseado num monopólio por concessão régia. Até essa data, Rameau era sobretudo conhecido como compositor de repertório para cravo, e como o autor do Tratado de Harmonia de 1722. A sua primeira ópera séria (ou tragédie lyrique), Hippolyte et Aricie, causou uma polémica entre os ramistes, que defendiam o compositor, e os lullystes, que consideravam as suas obras um desvio inaceitável em relação à tradição francesa de Jean-Baptiste Lully (1632-87).

    Esta polémica ainda se prolongava na altura em que Dardanus foi estreada, em 1739. O libreto da obra foi baseado na história de um personagem mítico, Dardanus, filho de Zeus e Electra. Dardanus está em guerra com o rei Teucer quando se apaixona pela filha deste último, Iphise, prometida a outro. A história tem um final feliz, com a reconciliação dos personagens desavindos e a união de Dardanus e Iphise na conclusão.

    Na suite (designação geralmente aplicada a uma sequência de danças no período Barroco) desta tragédie lyrique reúnem-se algumas das suas secções instrumentais (com a adição, incomum em contexto de suite, da ária “Lieux funestes”), representativas de alguns géneros do Barroco musical francês. A Ouverture, por exemplo, segue a estrutura típica das aberturas de ópera francesa, que consistia numa sequência de duas secções, a primeira em estilo pontuado e de cariz majestoso, a segunda bastante rápida e com uso da técnica de imitação entre instrumentos. Os tambourins, como várias outras danças de dimensão mais modesta, são apresentados aos pares, com repetição da dança inicial no fim; o mesmo ocorre com os menuets, uma dança associada ao estilo francês. O Air gay em rondeau, que precede os menuets, remete para o formato do rondó, em que um tema de refrão alterna sistematicamente com secções intermédias diferenciadas. O Bruit de guerre remete para a batalha, um formato bastante divulgado na música instrumental da Renascença e do Barroco que reproduz, por efeitos de imitação sonora (uso rápido de notas repetidas, dinâmicas extremas), a agitação e sons da guerra.Já a chaconne é uma dança construída em forma de variações sobre uma linha de baixo curta e constantemente repetida, num desafio à capacidade inventiva do compositor.


    Helena Marinho, 2015

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