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  • 1. Os Ridículos

    2. Cena Infernal

    3. Marcha

    4. Scherzo

    5. O Príncipe e a Princesa

    6. A Fuga

    Em Maio de 1918, Sergei Sergeievitch Prokofieff partia da sua Rússia natal para os EUA, empreendendo uma longa viagem com inúmeras passagens pela Europa e, nomeadamente, por França onde residirá prolongadamente. Regressaria à URSS apenas 18 anos depois. Estreando-se em Nova Iorque em Novembro e em Chicago, no início de 1919 o compositor procurava desenvolver uma linguagem musical mais simples sem sacrificar a sua integridade artística. Cleofonte Campanini, maestro e director da ópera de Chicago, convidava-o, então, a criar uma ópera para a Companhia. Prokofieff, que já estava a trabalhar no libreto d’O Amor das Três Laranjas, colhe a oportunidade para avançar com a sua ideia. Composta em apenas nove meses, a ópera é baseada na obra de Carlo Gozzi L’amore delle tre melarance (do século XVIII), já de si inspirada numa peça anterior de commedia dell’arte de Giambattista Basile. O próprio compositor preparou o libreto recorrendo também à comédia homónima de Konstantin Vogak, Vsevolod Meyerhold e Vladimir Solov'yev.

    O Amor das Três Laranjas, op. 33, trata-se de uma ópera satírica que pode ser vista como uma paródia à ópera novecentesca e que combina o conto de fadas, o humor e a sátira, numa ridicularização das convenções do teatro tradicional com acções de palco absurdas. Nesta fantasia surreal, que se passa num reino de cartas, o soberano, o Rei de Paus, assiste à melancolia e hipocondria do seu filho, o Príncipe, que deverá ser curado pela diversão e pela gargalhada. Uma corte de excêntricos, ridículos, tolos, cómicos e trágicos esforça-se por fazer rir o Príncipe que acaba por se divertir, inesperadamente, com uma queda acidental da Fada Morgana que, irritada com o facto, lhe lança um feitiço. Assim, ele acaba por ter de se apaixonar por três laranjas gigantes, cada uma contendo uma princesa. Duas destas acabarão por morrer de sede, mas a terceira, depois de outras tantas provações, revelar-se-á como o seu Amor.

    A primeira apresentação da ópera teria lugar apenas dois anos mais tarde, já sob direcção de Mary Garden, depois da morte inesperada de Campanini e de uma série de problemas legais. Com libreto em francês, a ópera estreava a 30 de Dezembro de 1921 no Auditorium Theatre de Chicago, com grande sucesso, perante uma sala cheia ainda que relutante perante os traços modernistas da partitura. Prokofieff faria a revisão final da suite sinfónica em 1924, permitindo assim a difusão e popularização da ópera a partir de seis cenas breves ilustradas por uma orquestração colorida, plena de metais e percussão.

    A primeira secção, Os Ridículos, é extraída do prólogo da ópera, onde a música ilustra as tentativas frustradas para tentar fazer rir o Príncipe. Precede a Cena Infernal, a partir do primeiro acto, onde o feiticeiro Célio joga às cartas com a Fada Morgana, numa ambiência de magia. A Marcha, popular, grotesca, é um dos excertos mais famosos da ópera e é marcada pela precisão rítmica em que as madeiras e o trompete se destacam. O breve Scherzo, de grande vivacidade, insere-se no segundo acto da ópera e ilustra a viagem do Príncipe na procura pelas três laranjas. De seguida, a secção O Príncipe e a Princesa recorre a música de cena do terceiro acto da peça, em que a princesa Ninette emerge das laranjas encontrando-se com o Príncipe. É um momento de grande lirismo, caracterizado pelo uso das cordas em surdina. A Fuga corresponde ao final do quarto acto, a última cena, em que vilões são “engolidos” por uma armadilha originalmente criada pela própria Fada Morgana após serem perseguidos pela corte, numa página de grande humorismo.

     


    Rosa Paula Rocha Pinto, 2016

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