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  • 1. Prelúdio

    2. Allemande

    3. Courante

    4. Sarabande

    5. Double

    6. Gavotte I & II

    7. Gigue

     

    A suite, enquanto composição musical que recorre ao agrupamento de danças contrastantes, tem a sua origem no século XVI. Na forma tradicional herdada da Idade Média, já faziam parte da dança duas partes contrastantes e que davam pelo nome de “dança e contradança”. No século XVII, quando o género começa a atingir grande popularidade, as primeiras colectâneas agrupavam quatro peças que contrastavam no ritmo mas não na tonalidade. Na verdade, a suite orquestral entrou no período Barroco como uma compilação de várias danças na mesma tonalidade, realidade resultante de uma herança secular dos sistemas de afinação utilizados.

    Ao longo dos séculos, a suite evoluiu obedecendo a alguns destes princípios. Adoptando os ritmos característicos das regiões onde era escrita e formas que quase sempre se regulavam por normas estritas, as diferentes danças adoptavam alguma unidade temática entre a Abertura ou Prelúdio, Allemande, Courante ou Giga, entre outros passos característicos desse período.

    O compositor do período Barroco que mais se destacou no género da suite para instrumento solista, sendo que também compôs várias suites orquestrais, foi Johann Sebastian Bach. Se para o violino nos ocorrem de imediato as partitas, ou para o violoncelo as suites, para os instrumentos de tecla Bach deixou várias compilações de Suites (francesas e inglesas), aberturas e partitas, sendo que a distinção entre os diferentes nomes nem sempre é óbvia. De uma forma geral, são todas formadas por conjuntos de danças na mesma tonalidade, podendo variar no número e nos ritmos de dança que incluem e na relação temática entre os diferentes números.

    No caso que hoje nos diz respeito, o nome de Suite Inglesa é, à partida, um título enganador e que possivelmente não terá origem nas intenções do compositor. Nos seus manuscritos apenas se encontrava a indicação de “suites com prelúdio” e possivelmente o nome advém de terem sido escritas para um mecenas inglês. Não se conhece a data exacta da sua composição, mas sabe- se que foi durante a estadia do compositor em Weimar, ou seja, entre 1708 e 1717. Comparativamente às Suites Francesas, todas as Suites Inglesas são tecnicamente mais exigentes, principalmente pelos prelúdios iniciais que requerem as mãos de um virtuoso.

     

     

    Suite Inglesa n.º 6 em Ré menor, BWV 811

     

    O arpejo com que tem início o Prelúdio da Suite Inglesa n.º 6 em Ré menor, ao contrário de produzir um efeito estilístico fugaz, dá início a uma melodia profundamente inquietante que oscila entre a súplica e a mais apaixonada declaração. Esta funciona como introdução ao que é um prelúdio em forma ternária (A B A), que se desenvolve num contraponto imitativo bem rítmico e de uma alegria estonteante própria das acentuações ternárias no primeiro tempo.

    A delicada e característica Allemande constitui um interessante jogo entre as duas mãos que, ao contrário de entrarem num diálogo de pergunta/resposta, mantêm uma estranha autonomia dentro de uma plena união de espírito.

    A rápida Courante não salienta o seu ritmo marcadamente ternário como acontece nas courante que optam pelos vincados acompanhamentos em semínimas, mas dá antes preferência a um estilo aparentado com o das invenções a duas vozes colocando lado a lado duas melodias independentes com sua respectiva ornamentação.

    A Sarabande tem uma grande nobreza pela altivez da sua tristeza e pelo carácter lírico do que parece ser uma ária com acompanhamento improvisado, profícuo em requinta-das harmonias.

    Seguem- se duas Gavottes de acentuação binária e que ocupam aqui o lugar dos mais comuns minuetos de ritmo ternário. Danças extremamente elegantes e de carácter um pouco saltitante são aqui tratadas num perpétuo rítmico de grande polimento polifónico. A segunda surpreende pela novidade do colorido proveniente da mudança de harmonia e tessitura desenvolvendo- se com a sonoridade de uma caixinha de música, até que regressa a Gavotte I ao estilo de ária da capo.

    A Suite termina com a tradicional Giga, um vigoroso ritmo binário composto que pelo seu virtuosismo corre numa vertigem para o tempo forte. Entre as duas mãos estabelece se um discurso aparentado com o de uma fuga em que as duas vozes parecem perseguir- se mutuamente.

     


    Rui Pedro Pereira, 2018

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