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  • 1. Prelúdio

    2. Allemande

    3. Courante

    4. Sarabande

    5. Minueto I e II

    6. Giga

     

    Johann Sebastian Bach (1685-1750) teve no seu tempo a reputação de conservador devida ao seu apego às tradições polifónicas herdadas das gerações anteriores, mas acabou por ser reapreciado postumamente, muito também pela engenhosa fusão entre a linguagem polifónica tradicional dos seus predecessores e a sintaxe e poder expressivo da harmonia tonal que se cimentava no seu tempo. As obras para instrumento melódico solo são particularmente elucidativas. Nelas, a aparente limitação que a ausência de acompanhamento poderia fazer sentir é contornada de várias maneiras: pelo evidenciar de uma progressão harmónica clara através da repetição de desenhos melódicos apoiados em arpejos; pela sugestão de um maior apoio harmónico através de passagens em que se toca mais que uma corda em simultâneo; ou ainda pela ilusão de uma textura contrapontística implícita nos desenhos melódicos e propiciada pela alternância de registos.

    Não há forma de datar com precisão a composição das Suites para violoncelo solo de Bach, mas os indícios apontam para que tenham sido escritas no período em que trabalhava em Cöthen (1717-1723), particularmente fértil em música instrumental. Contando com dois violoncelistas notáveis na orquestra da corte, é possível que tenha escrito as suites para um deles.

    A estrutura interna da Suite n.º 1, em Sol maior, é semelhante à das suites restantes: compreende um prelúdio inicial, ao qual se seguem cinco danças. O Prelúdio desta suite é particularmente ilustrativo do estilo de Bach e constitui uma das peças de maior popularidade entre todo o repertório para violoncelo. Baseia-se numa figuração ondulante arpejada que, mantendo o desenho, vai desenrolando um discurso assente no sentido harmónico. O efeito conseguido pela utilização de corda solta como nota pedal (i.e., sustentada por entre as mudanças harmónicas) reforça a polifonia latente na escrita. O ponto culminante é atingido por meio de uma subida cromática, a que se seguem os compassos finais que estabilizam a tonalidade. Na Allemande mantém-se a omnipresença das semicolcheias, numa música de carácter mais majestoso. A Courante traz um espírito mais dinâmico, com uma melodia leve e alegre que se desenrola em conjunto com o apoio de notas graves que clarificam o percurso harmónico. Na Sarabande, regressa um espírito mais delicado e elegante, com o recurso a duas cordas em simultâneo a suportar calorosamente a expressão melódica de um lirismo sereno. Chegam depois dois Minuetos, o primeiro mais assertivo (em tonalidade maior) e o segundo melodicamente mais afectuoso e cantante, em modo menor, seguido da habitual reexposição do primeiro. A Giga final não deixa dúvidas quanto ao parentesco com a Jig, com o característico tempo rápido em compasso composto e o marcado fluxo de colcheias, terminando a peça em tom festivo.

     


    Pedro Almeida, 2016 

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