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  • 1. Manhã

    2. A morte de Åse

    3. Dança de Anitra

    4. No palácio do Rei da Montanha

    Natural de Bergen, na Noruega, Edvard Grieg (1843-1907) pugnou pela defesa de uma arte nacional, integrando com outros compositores (o compatriota Nordraak e o dinamarquês Horneman) o grupo Euterpe, que tentava combater a influência alemã na cultura nórdica, e fundando a Academia Norueguesa de Música, reforçando ainda a sua posição nas qualidades de pianista e maestro. Ironicamente, a sua formação foi marcada por estudos em Leipzig, na Alemanha, e o próprio exemplo de Schumann teve considerável relevo na sua obra (particularmente visível no famoso Concertopara piano em Lá menor, que toma o de Schumann como modelo em diversos aspectos).

    A obra mais célebre de Grieg é, indubitavelmente, a música de cena que escreveu para Peer Gynt, do dramaturgo Henrik Ibsen (1828-1906), também ele norueguês. Ibsen havia já concebido Peer Gynt sob a forma de poema dramático, tendo-o escrito em 1867. A história mistura o folclore norueguês (incluindo o imaginário fantástico dos trolls, estranhas criaturas da montanha), a exuberância dos contos de fadas e a dimensão moral e filosófica herdada da tragédia grega. Trata-se da saga do anti-herói Peer Gynt, um camponês cujo carácter fantasioso, dissimulado e egoísta o conduz ao exílio. Por largo tempo viaja por países exóticos, até que, muito tempo depois, regressa como um homem acabado e encontra Solveig, que pacientemente esperou por ele desde o início, qual Penélope para Ulisses. É então que reconhece ter vivido perdido todo esse tempo, reconciliando-se com o sentido da vida e encontrando enfim paz de espírito.

    O convite para escrever música de cena para uma versão teatral de Peer Gynt partiu do próprio Ibsen, em carta dirigida ao compositor a 23 de Janeiro de 1874. Grieg, lisonjeado pela oportunidade tão significativa e pela recompensa financeira, aceitou. Mas quase tão tortuoso quanto o percurso do herói Peer terá sido, talvez, o percurso do compositor em busca da solução musicalmente adequada, numa odisseia criativa que durou quase dois anos. As dificuldades foram bem expressas por Grieg: “o mais não-musical dos assuntos”; “intratável”; “o texto é tal que o compositor é forçado a matar todas as intenções de escrever verdadeira música, concentrando-se apenas no efeito externo”. Apesar do processo complexo e de muitas reservas que Grieg tinha acerca do resultado, Peer Gynt estreou com encenação e música – e, sintomaticamente, sem a presença de Grieg –, resultando num enorme sucesso, a 24 de Fevereiro de 1876. Grieg agruparia a posteriori alguns dos momentos mais marcantes da música de cena que escrevera em duas suites (em 1888 e 1891, respectivamente), numa distribuição de peças que não coincide com a ordem sequencial de cada excerto na obra original.

    Na Suite n.º 1, op. 46, Manhã retratava originalmente o amanhecer no deserto do Saara e é particularmente memorável pela sua melodia pentatónica e modulações que vão tornando a ambiência cada vez mais luminosa, com “o sol a despontar através das nuvens no primeiro forte” (palavras de Grieg); a Morte de Åse aparece na versão teatral no momento em que Peer tem um monólogo com a mãe, sem saber que ela está já morta (daí o carácter lúgubre e fúnebre da música, na qual os cromatismos e modulações imprevisíveis imprimem um colorido ilustrativo dos achados harmónicos mais especiais deste compositor a que Debussy não irá resistir); a Dança de Anitra retrata uma exótica e sensual dança do ventre com que Anitra, filha de um chefe beduíno, seduz Peer; finalmente, No Palácio do Rei da Montanha, em que a agitação musical e harmónica assume contornos arrojadamente modernistas para evocar a cena em que Peer está rodeado de trolls que se aproximam cada vez mais para o matar...

     


    Pedro Almeida, 2016 

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