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  • 1. Dieu! qu’il la fait bon regarder!

    2. Quant j’ai ouy le tabourin

    3. Yver, vous n’estes qu’un villain

    À chanson polifónica renascentista, produto da área francesa que tinha competido com o madrigal italiano pela primazia no âmbito da música profana, ligam-se, por exemplo, as Trois chansons de Charles d’Orléans de Claude Debussy (St. Germain-en-Laye, 1862 – Paris, 1918). Sendo a sua única composição para coro a cappella, estas canções foram inicialmente escritas para o ensemble vocal de seu amigo Lucien Fontaine e mais tarde revistas e apresentadas, sob a direcção do próprio compositor, nos concertos Colonne de Paris em 1909. A escolha dos textos feita por Debussy parece invulgar pois, ao invés de incidir sobre os poetas da Paris de finais do século XIX e início do século XX que tiveram uma influência decisiva no seu percurso criativo, dirige-se à poesia do século XV; o compositor usa de facto três poemas de Charles d’Orléans (1394-1465), príncipe-poeta que, durante os seus quase 25 anos de prisão na Inglaterra, os tinha escrito de acordo com as convenções típicas da poesia cortês da época.

    Se, como noutras composições de Debussy, a referência ao estilo polifónico do passado e às suas características sentidas como essencialmente francesas funciona como um estímulo para experimentar novas soluções técnicas, esta revela-se ao mesmo tempo em sintonia com o ideal de discrição expressiva e límpida leveza da textura sonora perseguido pelo compositor também com função anti-romântica e sobretudo anti-wagneriana. Assim, por exemplo, a pesquisa refinada sobre o timbre, que Debussy ia realizando nas suas composições instrumentais, é aqui continuada, aplicando-se também às inflexões da voz e da língua francesa. A inspiração amorosa da primeira chanson (Dieu! O qu’il la fait bon regarder!), na qual de acordo com os cânones do amor cortês se louva a beleza da amada, tem o seu fulcro na exclamação Dieu, várias vezes repetida e enfatizada através do seu isolamento rítmico no fluir do discurso. A prática tipicamente renascentista, que atribuía à música sobretudo a função de ilustração e amplificação da palavra, parece reviver; mas não, como no passado, enfatizando a palavra-chave com um particular percurso melódico, mas antes explorando as suas potencialidades rítmico-tímbricas e graduando a dinâmica com um eficaz diminuendo. A evocação de um tamborim que anuncia as incursões militares do mês de Maio na segunda chanson (Quant j’ai ouy le Tabourin) é expressa, ao invés, através do ritmo criado pelos sons staccati das vozes graves que acompanham a narrativa confiada ao soprano, enquanto o contraste entre a rigidez do Inverno e a doçura do Verão se reflecte no carácter diferente da música associada à descrição das duas estações na terceira chanson, onde a afirmação ingenuamente infantil que constitui o seu incipit (Yver, vous n’estes qu’un vilain), repetida com peremptória rapidez na conclusão, serve também como eficaz final da peça.


    Francesco Esposito, 2015

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