Três excertos de Wozzeck
Alban Berg, Vienna, February 9, 1885 / Vienna, December 24, 1935
[1924; c.20min.]
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1. I Acto, Cenas 2 e 3: Lento
2. III Acto, Cena 1: Tema. Grave – Variações 1 7 – Fuga
3. III Acto, Cenas 4 e 5: Lento
A estreia de Wozzeck, ocorrida a 14 de Dezembro de 1925, foi precedida por longos anos de trabalho sobre o libreto e a partitura. Berg tinha assistido a uma representação da obra original de Georg Buchner (1813-1837) em Viena, em 1914. Tomou a decisão imediata de escrever uma ópera, sendo, evidentemente, tal propósito impedido pela Primeira Grande Guerra. A obra foi finalmente completada em 1922. A suite Três excertos de Wozzeck foi estreada em Junho de 1924 e obteve um notável sucesso, que se explica no contexto daqueles anos marcados pela lembrança do conflito e o optimismo da acelerada modernização da época. Berg foi soldado e, como veterano durante o período entre as duas guerras, plasmou, em comunhão com outros artistas contemporâneos, a trágica experiência bélica na sua obra. Wozzeck é, da mesma maneira, uma personagem que ultrapassa os limites do particular e veicula valores universais. Acontece qualquer coisa comparável com Marie, a protagonista feminina da ópera e a única personagem “que canta” nesta suite. Os três fragmentos apresentam outros tantos momentos-chave do drama musical escrito por Berg. No primeiro, Marie assiste a um desfile com o filho, de quem Wozzeck é o pai, ao colo. No segundo, lendo a Bíblia, confronta-se e identifica-se com Maria Madalena. Finalmente, o terceiro fragmento corresponde às cenas quarta e quinta do terceiro acto, em que Wozzeck morre afogado num tanque quando está desesperadamente à procura da faca com que assassinou Marie num ataque de ciúmes. Deparamo-nos, de novo, e tal como acontece com as restantes obras deste programa, com o poder comunicativo que tem a música, particularmente o poder imediato que têm o ritmo e a instrumentação. A imensa e íntima tristeza determina a vida dos dois protagonistas deste drama, em conflito com aqueles que são mais poderosos do que eles. A resolução do conflito, neste caso, dissolve-se numa solidão de dimensões, podemos dizer, cósmicas, sublinhada pela indiferente luz de luar que envolve o final da obra.
Teresa Cascudo, 2014




