• 1. Nocturno em Si bemol menor: Larghetto

    2. Nocturno em Mi bemol maior: Andante

    3. Nocturno em Si maior: Allegretto 

     

     

    A música para piano de Fryderyk Chopin constitui um dos mais relevantes monumentos do Romantismo musical. Para muitos dos seus contemporâneos, como Robert Schumann ou Franz Liszt, por exemplo, a sua perfeição como pianista virtuoso equiparava-se à profunda elegância das suas composições musicais, marcadas pela exploração do lirismo, do virtuosismo pianístico e da inspiração na sua terra natal, a Polónia. Liszt, que interpretou várias das obras de Chopin e que o conheceu em Paris, no início dos anos 30 do séc. XIX, referiu que “A música era a sua língua, a língua divina através da qual expressava um reino de sentimentos que apenas alguns poucos podem apreciar. A musa da sua terra natal dita as suas canções, e os gritos angustiados da Polónia emprestam à sua arte um mistério, uma poesia indefinida que, para todos aqueles que realmente a experimentaram, não pode ser comparada a qualquer outra coisa.”

    Chopin compôs cerca de 230 obras, afirmando sempre a centralidade do piano e a exploração das novas possibilidades expressivas daquele instrumento musical. O contexto parisiense em que viveu era marcado pela vida social e musical dos salões, pelo interesse na prática amadora que lhe garantiu alunos de piano, e também por uma forte indústria de edição musical, que lhe permitiu publicar as suas obras. Chopin respondeu a este ambiente como poucos compositores, dedicando-se à composição de pequenas peças regularmente apresentadas em público, publicando-as e fazendo-as circular entre a aristocracia e a alta burguesia.

     

    Os Nocturnos constituem um bom exemplo do modo como Chopin utiliza um género conotado com o contexto dos salões e popularizado pelo compositor irlandês John Field (1782-1837), dando-lhe uma roupagem mais sofisticada e livre. A proximidade com Field, compositor que muito admirava, estava bem patente no modo como compunha para piano, sendo inclusive alvo de comparações com este compositor durante a sua juventude.

    Os Três Nocturnos op. 9 foram compostos entre 1830 e 1832, e publicados em Paris, em 1832. Chopin dedicou-os a Madame Marie Pleyel, ela própria uma pianista exímia. O Nocturno n.º 1, Larghetto, inicia-se com um motivo melódico que permite antever algumas das características não apenas desta obra, mas também de outras posteriores, como a liberdade fluída da mão direita acompanhada por arpejos na mão esquerda. Uma secção intermédia introduz um tema em oitavas, de carácter mais introspectivo, seguindo-se depois o tema inicial, desta vez mais elaborado e embelezado. O Nocturno n.º 2 é, talvez, a obra mais popular do compositor. A melodia, com a indicação “expressivo” e “doce”, é sustentada pelo acompanhamento dos acordes da mão esquerda. Destaca-se, nesta obra, a coda final, na qual o compositor concede ao intérprete uma liberdade rítmica marcada pelo “senza tempo”. No Nocturno n.º 3, Chopin introduz uma outra característica que explora em bastantes obras: a construção cromática do tema, assim como a utilização de tema e contratema, e o embelezamento rico das linhas melódicas.

     


    Pedro Russo Moreira, 2018