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  • • Nacht (Noite) –

    Sonnenaufgang (Nascer do Sol) –

    Der Anstieg (Ascenção) –

    Eintritt in den Wald (Entrada na Floresta) –

    Wanderung neben dem Bache

    (Vagueando junto ao Ribeiro) –

    Am Wasserfall (Na Cascata) –

    Erscheinung (Aparição) –

    Auf blumigen Wiesen

    (Sobre Prados Floridos) –

    Auf der Alm (Na Pastagem Alpina) –

    Durch Dickicht und Gestrüpp auf Irrwegen (Perdendo-se por entre o

    Bosque Denso e o Matagal) –

    Auf dem Gletscher (No Glaciar) –

    Gefahrvolle Augenblicke

    (Instantes Perigosos) –

    Auf dem Gipfel (No Cume) –

    Vision (Visão) –

    Nebel steigen auf (Aumento do Nevoeiro) –

    Die Sonne verdüstert sich allmählich

    (O Sol encobre-se a pouco e pouco) –

    Elegie (Elegia) –

    Stille vor dem Sturm

    (Calma antes da Tempestade) –

    Gewitter und Sturm, Abstieg

    (Trovoada e Tempestade, Descida) –

    Sonnenuntergang (Pôr-do-sol) –

    Ausklang (Final) –

    Nacht (Noite) 

     

    O poema sinfónico de Richard Strauss foi uma das principais inovações musicais que marcaram o final do longo séc. XIX, que se estendeu até ao término da Primeira Guerra Mundial. Apesar de ter a sua génese em Liszt, a inovação de Strauss decorre fundamentalmente do uso que este faz da orquestra e das suas implicações para o tratamento do material musical. Richard Strauss escreveu sete poemas sinfónicos nas duas últimas décadas do séc. XIX (entre 1888 e 1898), e duas sinfonias que, na realidade, são também, na forma e no conteúdo, poemas sinfónicos: a Sinfonia Doméstica, que data de 1902-03, e Uma Sinfonia Alpina, op. 64, que preenche a segunda parte do concerto de hoje, composta entre 1911 e 1915, numa fase em que Strauss estava completamente dedicado à produção operática e ao teatro (a Salomé é de 1905, a Elektra de 1909, O Cavaleiro da Rosa de 1911 e a Ariadne auf Naxos de 1912).

    Estreada a 28 de Outubro de 1915 na Filarmónica de Berlim pela Capela Real de Dresden, dedicatária da obra juntamente com o Conde Nicolaus Seebach, sob a direcção do compositor, a última obra programática de Strauss foi escrita para uma formação imensa, de mais de 120 elementos, à qual acresce um grupo de metais a tocar nos bastidores. A partitura indica 2 flautins, 4 flautas, 3 oboés, corne inglês, heckelfone, 4 clarinetes, clarinete baixo, 4 fagotes, contrafagote, 8 trompas, 4 tubas tenor, 4 trompetes, 4 trombones, 2 tubas, máquina de vento, máquina de trovões, bombo, címbalos, tantã, triângulo, caixa de rufo, jogo de sinos, chocalhos, 2 conjuntos de timbales, 2 harpas, órgão, celesta, secção das cordas e uma banda de metais fora do palco.

    Uma Sinfonia Alpina é a narração em música de um dia passado a subir e descer uma montanha nos Alpes. É construída num único andamento que se divide em 22 episódios, devidamente identificados na partitura, descritivos do percurso do viajante. Há uma simetria estrutural cíclica que se organiza de acordo com o programa da obra (noite, nascer do sol, ascensão, chegada ao cume, descida, pôr-do-sol, e noite, novamente) e com a interacção do viajante com a natureza (entrada na floresta, passeio junto ao ribeiro, na cascata, nos prados em flor, nas pastagens, errância através de matas e matagais, no glaciar). É a segunda obra de Strauss inspirada por Nietzsche que aborda temáticas relacionadas com o ser humano e a natureza. Se em Also sprach Zarathustra (Assim falava Zarathustra) o compositor foi influenciado pela obra homónima do filósofo, agora é o Anticristo de Nietzsche que inspira Strauss: a purificação moral através da força interior de cada indivíduo e o culto da natureza são ideias professadas pelo filósofo e evocadas musicalmente pelo compositor. A comoção que a morte de Gustav Mahler, em 1911, provocou em Strauss – apesar das enormes diferenças que os separavam, os dois músicos admiravam-se mutuamente – faz-se sentir na Sinfonia Alpina. Quando o viajante atinge o cume da montanha – Auf dem Gipfel (No Cume) – os metais tocam um tema solene e majestático que faz lembrar a abertura de Also sprach Zarathustra. Mas logo a seguir os violinos entoam uma canção que evoca o tema de Alma da Sexta Sinfonia de Mahler. O uso dos chocalhos para representar as vacas nos prados – Auf blumigen Wiesen (Sobre Prados Floridos)– pode ser interpretado como uma referência implícita a Gustav Mahler, que também utilizou chocalhos nas suas Sinfonias n.º 6 e n.º 7.

    A música é absolutamente cinematográfica, na medida em que descreve de modo pictórico todas as etapas do percurso do viajante. Um verdadeiro catálogo de procedimentos de evocações realistas, para citar François-René Trancheford, conseguidos através de uma soberba combinação dos variadíssimos recursos instrumentais e da junção com conta peso e medida de uma escrita convencional com alguns laivos de audácia.

    A Sinfonia inicia com toda a orquestra a sustentar uma nota longa em pianissimo e as cordas a tocarem a escala de Si bemol menor em movimento descendente. É a natureza adormecida – Nacht (Noite).Um fortissimo de toda a orquestra pleno de luz e de brilho anuncia o Sonnenaufgang (Nascer do sol). Um tema optimista e enérgico interpretado pelas trompas que estão fora do palco anuncia Der Anstieg (Ascenção). Eintritt in den Wald (Entrada na Floresta), Wanderung neben dem Bache (Vagueando junto ao Ribeiro) e Am Wasserfall (Na Cascata)são episódios bastante pictóricos onde são literais a referências musicais ao canto dos pássaros e à água a correr no ribeiro e a cair na cascata. O viajante parece “ver” o espírito dos Alpes em Erscheinung (Aparição)e uma bonita melodia na trompa e nos violinos descreve Auf blumigen Wiesen (Sobre Prados Floridos). Segue-se uma série de episódios onde, de forma um tanto naïf, Strauss descreve literalmente a paisagem que o viajante está a percorrer no trajecto até ao cume: Auf der Alm (Na Pastagem Alpina), Durch Dickicht und Gestrüpp auf Irrwegen (Perdendo-se por entre o Bosque Denso e o Matagal), Auf dem Gletscher (No Glaciar), Gefahrvolle Augenblicke (Instantes Perigosos). Depois da Vision (Visão), onde o órgão faz a sua aparição assinalando uma inconstância e uma instabilidade harmónicas, o viajante empreende o trajecto descendente. A luminosidade, o brilho e o optimismo dão agora lugar à tensão, à ansiedade e à tristeza, em Nebel steigen auf (Aumento do Nevoeiro), Die Sonne verdüstert sich allmählich (O Sol encobre-se a pouco e pouco), Elegie (Elegia), Stille vor dem Sturm (Calma antes da Tempestade)e Gewitter und Sturm, Abstieg (Trovoada e Tempestade, Descida), onde toda a orquestra está envolvida. Com o pôr-do-sol (Sonnenuntergang),a noite está prestes a surgir. Strauss evoca agora os temas da subida na sua forma retrógrada. Depois de uma longa coda, Ausklang (Final), cai a noite (Nacht) e a orquestra regressa à nota longa, sustentada, que se apaga lentamente. 

     


    Ana Maria Liberal, 2017 

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