Error loading MacroEngine script (file: artista-header.cshtml)
  • Padre António Vieira escreveu a História do Futuro com o propósito de explicar a forma como Portugal viria a ser a nação de onde nasceria o Quinto Império, e como esse Quinto Império seria um Império não terreno, mas Espiritual. A análise de diversos textos bíblicos, dentre os quais se destacam várias profecias incluídas no Livro de Daniel (Antigo Testamento), assim como o Livro do Apocalipse (Novo Testamento), para além de outros textos religiosos, serviram de base a uma argumentação que põe o nosso país como líder deste novo Império. Vieira pretendia ir buscar ao passado a explicação e justificação do futuro inevitável do povo lusitano, ou seja os feitos históricos passados apontam ou profetizam aqueles que farão parte do Futuro.

    Estas ideias, que se generalizaram debaixo da filosofia do Sebastianismo, já apontada por Camões, tem sido ciclicamente retomada por vários autores da nossa cultura. Em Camões é preconizado o Sebastião vivo, Vieira eleva-o para o patamar de mito, Pessoa engloba-o na humanidade da cultura Portuguesa.

    Segundo a História do Futuro, as explicações das profecias são para aqueles que as podem entender, pois encontram-se encerrada em misteriosas metáforas. A própria leitura do enigmático Livro de Daniel abre caminho às mais diversas interpretações. Assim, para Vieira, aquilo que foi exposto de uma forma “escondida” deverá tornar-se aparente para quem saiba interpretar a profecia: Ut ex invisibilibus, visibilia fiant (para que cousas invisíveis se fizessem visíveis).

    A composição que será estreada esta noite inspirou-se nesta obra de Vieira. Talvez, sob o ponto de vista da realização temporal das profecias, o Quinto Império não venha a nascer de uma só nação, mas de toda a Humanidade. O Apocalipse bíblico profetiza um tempo de paz, tolerância e fé. E talvez esteja dentro de cada um de nós procurar e lutar para construir esse tempo nos nossos dias.

    As notas musicais que usei para compor esta obra são as quatro primeiras notas do Hino Nacional, a Portuguesa. Mas tal como Vieira explica no pensamento profético, elas estão inicialmente “invisíveis”, e só com passar do tempo na obra musical se tornarão aparentes, para quem souber escutar com atenção e as procurar entender.

    “Diz o Apóstolo S. Paulo que acomodou Deus e repartiu os séculos conforme os decretos da sua palavra, para que cousas invisíveis se fizessem visíveis: Fide intelligimus aptata esse saecula verbo Dei, ut ex invisibilibus, visibilia fiant; por onde não é muito que tanta parte do Mundo, e as gentes que o habitavam, estivessem ignoradas e invisíveis por tantos séculos, e que depois chegasse um século em que se descobrissem e fossem visíveis; e assim como, corrida esta cortina, se descobriram e manifestaram as terras e gentes de que tinham falado os Profetas, assim se entenderam e descobriram também os segredos e mistérios de suas profecias”. (António Vieira: História do Futuro. Volume I, Capítulo 12).

     


    João Pedro Oliveira

x
A Fundação Casa da Música usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras. Para obter mais informações ou alterar as suas preferências, prima o botão "Política de Privacidade" abaixo.

Para obter mais informações sobre cookies e o processamento dos seus dados pessoais, consulte a nossa Política de Privacidade e Cookies.
A qualquer altura pode alterar as suas definições de cookies através do link na parte inferior da página.

ACEITAR COOKIES POLÍTICA DE PRIVACIDADE